- Lula defende que a mudança na escala 6×1 seja construída por meio de negociações intermediadas por sindicatos, na prática apresentada durante a II Conferência Nacional do Trabalho em São Paulo, no início de março.
- O presidente ressaltou que, se houver um projeto único no Congresso para estabelecer a nova jornada, o país pode enfrentar centenas de milhares de greves e milhões de ações na Justiça do Trabalho.
- A estratégia de protagonismo sindical acompanha medidas do governo que ampliaram o poder dos sindicatos ao definir novas regras para trabalho em feriados.
- Especialistas destacam que acordos coletivos podem adaptar a jornada à realidade de cada setor, mas reconhecem desafios em setores com funcionamento contínuo, como comércio, saúde, logística e turismo.
- Para o setor produtivo, a negociação coletiva é vista como o “mal menor” ante uma regra única; mais de cem entidades assinaram manifesto defendendo debate responsável, com a Federação das Indústrias do Paraná reforçando riscos de custos e perda de competitividade.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu ampliar o papel dos sindicatos nas negociações sobre o fim da escala 6×1. A declaração foi feita durante a II Conferência Nacional do Trabalho, em São Paulo, no início de março. A ideia é que mudanças na jornada sejam construídas por meio de negociações intermediadas por entidades sindicais.
Lula afirmou que construir acordos negociados evita imposições legais futuras e longas disputas judiciais. Segundo ele, a aprovação de uma única lei no Congresso poderia provocar inúmeras greves e processos na Justiça do Trabalho.
A proposta envolve tratar a redução da jornada pela via das negociações coletivas, mantendo espaço para soluções ajustadas a cada setor, com participação de trabalhadores e empresas. A estratégia acompanha mudanças recentes do governo que fortalecem a atuação sindical.
Desdobramentos da agenda sindical
Especialistas veem a negociação coletiva como caminho mais flexível para adaptar a jornada à realidade de setores diferentes, onde comércio, saúde e turismo exigem cuidados especiais. A ideia é conciliar proteção ao trabalhador, segurança jurídica e viabilidade econômica.
Entre os dados, advogados destacam que a reforma trabalhista de 2017 ampliou mecanismos de negociação, mas também enfraqueceu alguns sindicatos ao permitir acordos individuais e reduzir a contribuição sindical obrigatória. O tema segue em debate.
Entidades do setor produtivo, que temem impactos econômicos, defendem a negociação coletiva como o “mal menor” frente a uma regra única. Em fevereiro, mais de 100 entidades defenderam um debate responsável sobre o tema.
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