- A CPI do Crime Organizado convocou Cláudio Castro e Ibaneis Rocha para depor sobre o avanço da criminalidade no Rio de Janeiro e sobre as decisões que levaram o BRB a negociar com o Master.
- Foi aprovada a quebra dos sigilos do cunhado do operador financeiro Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, embora esta quebra tenha ocorrido de forma nominalmente separada devido a decisão do STF que restringe votações amplas.
- Também foram aprovados requerimentos de informações sobre a compra do antigo Banco Máxima pelo Master e sobre atos de Paulo Sérgio Neves e Belline Santana, ex-dirigentes do Banco Central, que segundo a CPI recebiam propina.
- Foi convocado, ainda, o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto para esclarecer falhas de fiscalização durante o período em que houve crescimento do Master; ele não compareceu à sessão.
- A CPI também busca entender o papel do governo do Distrito Federal no processo, já que o BRB é controlador do banco, com foco nas negociações envolvendo o Master e o impacto financeiro dessas operações.
A CPI do Crime Organizado aprovou a convocação do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e do ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, para depor sobre a atuação de criminosos no Rio e sobre as negociações entre BRB e Banco Master. A votação ocorreu nesta terça-feira (31).
A comissão também autorizou a quebra de sigilos do cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, apontado como operador financeiro das fraudes envolvendo o Master. A decisão ocorreu de forma separada, atendendo a uma determinação do STF que limitou acessos em votações amplas.
A quebra de sigilos de Zettel gerou críticas de parlamentares da CPI, como o presidente Fabiano Contarato e o relator Alessandro Vieira, além do senador Magno Malta, que chegou a defender desrespeito a decisões da Corte em casos anteriores.
Foram aprovados também requerimentos de informações sobre a compra do antigo Banco Máxima, que resultou na transformação em Master, além de solicitações sobre atos de Paulo Sérgio Neves, ex-diretor de fiscalização do BC, e de Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária.
A CPI decidiu pela convocação obrigatória do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto para esclarecer falhas de fiscalização durante o período em que o Master cresceu no Sistema Financeiro Nacional. Campos Neto não compareceu à sessão, pela segunda vez.
Motivos para as convocações
A convocação de Castro busca entender o avanço da criminalidade no Rio e a atuação do Comando Vermelho, visto como laboratório para dinâmicas de crime organizado no país. A participação de Ibaneis Rocha se relaciona às negociações envolvendo BRB e Master e ao possível papel do governo local nesses procedimentos.
Ibaneis Rocha negou ter participado de negociações sobre o Master, alegando encontros apenas em âmbito institucional. A CPI, no entanto, aponta que o BRB é controlador do GDF e que decisões relevantes ocorreram sob influência desses vínculos acionários.
O BRB tem até hoje para apresentar o balanço de 2025, que deverá indicar o alcance financeiro das negociações com o Master. A avaliação é de que os prejuízos totais podem chegar a bilhões, de acordo com fontes próximas aos investigadores.
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