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Empresas são peça-chave no combate à violência de gênero

Empresas devem atuar na prevenção, intervenção e acolhimento contra a violência de gênero, sob pena de omissão ética e necessidade de transformação cultural

O secretário executivo do ministério do Desenvolvimento, Márcio Rosa participa do evento “Responsabilidade Empresarial no Enfrentamento ao Feminicídio, à Violência de Gênero e pela Transformação Cultural”, promovido pela Petrobras, Governo Federal e Banco do Brasil, no Museu de Arte Moderna do Rio (MAM). Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
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  • Empresas devem atuar em três frentes no enfrentamento à violência de gênero: prevenção, intervenção e acolhimento, indo além da legislação penal.
  • O tema foi discutido em evento no Museu de Arte Moderna do Rio, promovido pela Petrobras, Governo Federal e Banco do Brasil.
  • Dados apontam que seis mulheres são mortas por dia no Brasil; no ano anterior, 2,1 mil vítimas de feminicídio e 4,7 mil tentativas foram registradas.
  • A empresária Luiza Trajano apresentou o Canal Mulher, criado pela Magazine Luiza para apoiar funcionárias vítimas de violência, com apoio psicológico e jurídico.
  • ONU e EBC destacaram responsabilidade das empresas e a necessidade de campanhas de prevenção e combate à misoginia, com atuação conjunta de governo e sociedade civil.

Empresas têm papel central no combate à violência de gênero, atuando em prevenção, intervenção e acolhimento. A avaliação foi feita nesta terça-feira, no Rio de Janeiro, pelo secretário-executivo do Ministério da Desenvolvimento, Márcio Rosa, em evento com grandes empresas públicas e privadas.

Ele disse que o setor produtivo precisa promover mudanças culturais para enfrentar as causas do feminicídio no país. Dados apontam seis mulheres mortas por dia no Brasil, segundo o Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, da Universidade Estadual de Londrina, com 2,1 mil vítimas no último ano.

Rosa afirmou que a violência de gênero não pode depender apenas de endurecimento da lei após ocorrências, e defendeu atuação preventiva, com ambientes de trabalho livres de violência. Ele citou prevenção, intervenção e acolhimento como pilares empresariais, incluindo suporte às vítimas.

Canal Mulher e pacto institucional

Durante o evento, Luiza Trajano, da Magazine Luiza, apresentou o Canal Mulher, criado para apoiar funcionárias vítimas de violência doméstica. A iniciativa inclui psicólogos e advogados, e surgiu após uma funcionária ter sido morta em 2017. A empresa implementou um botão de denúncia no app em 2019, conectando ao 180.

Trajano elogiou o Pacto Nacional de Prevenção ao Feminicídio como ação voltada aos homens, destacando a importância de o apoio chegar também aos familiares de funcionárias. Ela reforçou que a empresa busca atuar além de suas fronteiras na cadeia de fornecedores.

Participação pública e privada

Wania Sant’Anna, presidente do Pacto de Promoção da Equidade Racial, ressaltou que as mulheres precisam sentir o compromisso das empresas com a causa. Ela sugeriu que empresas divulguem a pauta em seus setores, como bombas de postos e aeronaves, para ampliar a conscientização entre trabalhadores e público.

A ONU, por meio do Pacto Global, também orienta ações corporativas para combater violências institucionais e promover prevenção do assédio moral e sexual, conforme destacaram representantes da organização no encontro. A diretora Monica Gregori enfatizou a necessidade de mecanismos de prevenção.

Participação institucional e cobertura midiática

Janja Lula da Silva, primeira dama, ressaltou o papel das empresas e pediu apoio a iniciativas legais contra a misoginia, especialmente nas redes sociais. O evento contou com a presença de representantes de imprensa pública, incluindo a Empresa Brasil de Comunicação, que defendeu a atuação da mídia na formação de um imaginário público responsável.

Nesse contexto, o secretário Márcio Rosa indicou que a cultura corporativa muda com ações diárias concretas, envolvendo mulheres na gestão de políticas internas. Ele reiterou que o compromisso do ministério com o tema envolve governo, sociedade civil e empresas, para romper o ciclo da violência.

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