- Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo identificaram a cela do DOI-Codi de São Paulo onde agentes da ditadura simularam o suicídio do jornalista Vladimir Herzog.
- Herzog foi torturado e assassinado em 25 de outubro de 1975, no prédio do DOI-Codi, órgão do Exército que funcionou entre 1969 e 1983.
- A conclusão indica que o suicídio forjado ocorreu na cela especial número 1, no primeiro andar do imóvel, no espaço hoje ocupado pela 36ª Delegacia.
- A identificação combinou evidências documentais, periciais, arqueológicas e arquitetônicas, incluindo comparação com laudos de Almeida, membro do PCB morto no mesmo complexo.
- A pesquisadora Deborah Neves afirma que localizar o espaço comprova a materialidade de fraudes do Estado, contribuindo para a memória histórica e jurídica do caso.
A pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) aponta a cela do DOI-Codi de São Paulo onde houve a encenação do suicídio do jornalista Vladimir Herzog em outubro de 1975. Herzog foi torturado e morto no complexo de repressão da ditadura militar, entre 1969 e 1983, fato que repercutiu como denúncia internacional.
Os trabalhos conduzidos na Unifesp envolveram arqueologia forense, história e arquitetura. Deborah Neves, doutora em história, afirma que localizar o espaço concreto reforça a materialidade de fraudes cometidas por agentes do Estado e serve de base para o tema no campo jurídico.
A sala identificada fica no primeiro andar, no fim do corredor do prédio que hoje abriga a 36ª Delegacia. A evidência inclui marcadores de fixação visíveis na alvenaria e a correspondência com fotos da época, que registraram o corpo pendurado por um tipo de cinto.
A equipe comparou laudos de perícia de Herzog com os de um caso anterior envolvendo José Ferreira de Almeida, torturado e morto no mesmo DOI-Codi meses antes. A análise também cruzou imagens históricas com características estruturais preservadas.
Entre as fontes, destacam-se relatos do fotógrafo que registrou a cena forjada e laudos periciais que apontam a existência da chamada “cela especial 1”. A verificação ocorreu graças à preservação do espaço e à atuação conjunta de especialistas.
A identificação foi possível pela observação de detalhes como padrões de janelas, placas e dobradiças presentes na cela investigada. A divergência entre descrições antigas e elementos visuais atuais ajudou a confirmar a localização.
A Unifesp esclarece que o avanço foi possível pela cooperação entre arqueologia, história e arquitetura, com participação de pesquisadores da Rede Brasileira de Sítios de Memória e Consciência. O projeto preserva memória histórica sem perder o rigor técnico.
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