- Moradores de Perus dizem que a primeira audiência sobre a Unidade de Recuperação de Energia Bandeirantes, promovida pela prefeitura e pelo governo estadual, teve recrutamento de pessoas de fora para atrapalhar perguntas.
- Reportagem aponta que ônibus levaram moradores não reconhecidos ao CEU Perus, formaram fila para discursar e teriam sido orientados a influenciar as falas.
- Uma pessoa afirmou ter recebido dinheiro para atuar como se fosse moradora de Perus, com orientação de um homem sobre as reações a manifestar.
- Cerca de 500 moradores não conseguiram entrar; o espaço foi insuficiente mesmo com dois televisores transmitindo a sessão, deixando crianças e outros sob chuva.
- Lideranças locais e guarani mbya do Jaraguá questionam o processo e defendem alternativas, como um Território de Interesse de Cultura e da Paisagem Jaraguá-Perus-Anhanguera, em vez do incinerador.
Moradores de Perus acusam fraude e exclusão em audiência sobre incinerador
Moradores do bairro de Perus, em São Paulo, dizem ter sido excluídos da primeira audiência consultiva realizada pela prefeitura e pelo governo estadual para debater a Unidade de Recuperação de Energia (URE) Bandeirantes, da Logística Ambiental São Paulo S.A. (Loga). A suposta fraude envolve recrutamento de pessoas de fora para dominar a fala.
O encontro ocorreu nesta segunda-feira (1º), no CEU Perus, no Vila Fanton. Segundo relatos, ônibus com passageiros não identificados formaram filas na entrada e também se inscreveram para discursar, impedindo a participação de moradores locais. O objetivo alegado seria desmobilizar o público.
Uma das pessoas ouvidas pela Agência Brasil afirmou ter sido contratada para estar na audiência como se fosse moradora de Perus, recebendo orientação sobre os temas a defender ou atacar durante a intervenção. A identidade da pessoa será preservada.
Cerca de 500 participantes, entre moradores e convidados, tiveram o acesso ao teatro esgotado. Mesmo com transmissão de dois televisores na entrada, muitos não conseguiram entrar, incluindo crianças, que aguardaram sob chuva.
Do lado externo, agentes da Guarda Civil Metropolitana se posicionaram com escudos e gás de pimenta. Em meio a relatos de restrições, vereadores teriam tido a fala proibida, alegação negada pela prefeitura. Três representantes de uma comunidade guarani do Jaraguá conseguiram entrar após pressão.
Outro lado
A Cetesb informou que as colocações da audiência serão incorporadas ao processo de licenciamento ambiental, que está em fase técnica de análise do Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima). A Semil também confirmou o andamento do licenciamento.
A prefeitura, a Loga e a SP Regula encaminharam nota destacando que as UREs são instalações modernas, com capacidade para até 1 mil toneladas diárias, integradas ao Ecoparque Bandeirantes. Ressaltaram que a audiência visou esclarecer dúvidas e ouvir contribuições dentro do procedimento legal.
A Loga reiterou que não houve ofertas ou benefícios a lideranças ou participantes e que a presença foi espontânea, com acesso por ordem de chegada. A empresa afirmou manter o compromisso com transparência e diálogo com a população, baseado em dados técnicos.
Entre na conversa da comunidade