- CPMI do INSS identifica a Rede Arpar, considerada a maior rede de lavagem de dinheiro e evasão de divisas já mapeada, com cerca de quarenta empresas e atuação para ocultar a origem de recursos.
- Movimentação identificada até o momento soma cerca de R$ 39 bilhões, podendo ultrapassar R$ 45 bilhões com outras companhias sob análise; a rede operaria, em média, cerca de R$ 400 milhões por mês.
- As operações incluíam repasses de propinas a agentes públicos e políticos por meio de empresas de fachada, além do uso de criptoativos para dificultar o rastreamento.
- O esquema seguia três etapas clássicas de lavagem: colocação, ocultação e integração, com triangulações financeiras, uso de fintechs, corretoras de câmbio e offshores para enviar recursos ao exterior ou reinseri-los como legais.
- STF não prorrogou a CPMI; investigações apontam ligações com facções criminosas, incluindo o Primeiro Comando da Capital, e ainda há identificação incompleta de envolvidos e autoridades beneficiadas.
A CPMI do INSS e a Polícia Federal identificaram uma rede criminosa ligada a grandes operações de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Segundo os relatos, o grupo, batizado pela CPMI como Rede Arpar, funcionava como um banco clandestino com pelo menos 40 empresas interligadas. A estrutura visava despersonalizar pagamentos, ocultar a origem de recursos e remeter valores ao exterior.
As investigações indicam que o esquema movimentou cerca de 39 bilhões de reais, com estimativas chegando a 45 bilhões ao considerar companhias adicionais. O fluxo mensal seria de aproximadamente 400 milhões de reais. As fraudes ao INSS representaram ao menos 6,3 bilhões. Além disso, haveria operações associadas a tráfico de drogas, armas e apostas ilegais.
Conexões que ultrapassam os desvios previdenciários
A apuração aponta vínculos com facções criminosas, incluindo o Primeiro Comando da Capital, e com operadores financeiros de pessoas politicamente expostas. Investigadores afirmam que a rede utilizava empresas de fachada, contratos simulados e depósitos em contas de laranjas para sustentar o esquema.
A operação Sem Desconto, iniciada há mais de um ano, esteve em várias fases da Polícia Federal, resultando na prisão de envolvidos, afastamento de dirigentes e apreensão de bens de luxo. Mesmo com os bloqueios, especialistas destacam a capacidade de regeneração do grupo e a continuidade de atividades em outras frentes.
Estrutura e etapas da lavagem
O esquema seguia três etapas clássicas: colocação, ocultação e integração. Recursos desviados do INSS e de crimes eram depositados em contas, circulavam por diversas empresas para esconder a origem e eram reinseridos como operações lícitas. Em alguns casos, havia superfaturamento de importações e subfaturamento de exportações para movimentação internacional.
Entre as estratégias, utilizavam criptoativos e plataformas de câmbio, além de contratos de consultoria simulados para repassar valores a agentes públicos. A rede também realizava repasses de propinas por meio de empresas de fachada. Crescia a preocupação de que haja omissões na identificação de todos os operadores.
Avanços e próximos passos
A Justiça bloqueou ativos de diversas entidades ligadas ao esquema, incluindo a Arpar e pessoas físicas, com ações distribuídas em 15 procedimentos. A atuação da CGU e o STF geraram frentes de apuração adicionais, ampliando a coleta de informações e a rastreabilidade de recursos.
Fontes administrativas confirmam que nem todas as pessoas e empresas foram totalmente identificadas, o que sugere que a teia pode ser ainda maior. A reportagem entrou em contato com a Arpar Administração e Participações, mas os contatos disponíveis estavam inoperantes no momento.
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