- Governo lançou o Protocolo Nacional de Investigação de Crimes contra Jornalistas e Comunicators Sociais no Dia do Jornalista, para padronizar investigações pelo Sistema Único de Segurança Pública (Susp).
- O protocolo define quatro eixos de atuação: proteção imediata da vítima, qualificação da investigação, produção e preservação de provas, e escuta qualificada com tratamento humanizado e sigilo da fonte.
- Assinaram o protocolo representantes dos Ministérios da Justiça e Segurança Pública, Direitos Humanos e Cidadania, e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.
- O documento prevê atenção a situações de violência, incluindo desaparecimentos, e considera vulnerabilidades relacionadas a gênero, raça, orientação sexual ou condição socioeconômica.
- Também foi lançado o Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e Comunicação em Defesa do Meio Ambiente, com inscrições até 21 de maio, premiando denúncias e reportagens sobre proteção ambiental e povos tradicionais.
O governo federal lançou nesta terça-feira, Dia do Jornalista, o Protocolo Nacional de Investigação de Crimes contra Jornalistas e Comunicadores Sociais. A iniciativa, coordenada pelo Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, estabelece padrões de investigação via o Sistema Único de Segurança Pública (Susp). O objetivo é ir além da ocorrência do crime, considerando contexto, motivação e relação com a atividade jornalística.
O protocolo é assinado pelos Ministérios da Justiça e Segurança Pública, Direitos Humanos e Cidadania, e pela Secom da Presidência da República. A intenção é aprimorar a resposta estatal e reduzir a impunidade, com foco na proteção às vítimas, melhoria das investigações e preservação de provas.
A obra normativa reconhece a necessidade de atuação integrada dos órgãos de segurança pública e define quatro eixos: proteção imediata à vítima, qualificação das investigações para evitar impunidades, produção e preservação de provas, e escuta qualificada das testemunhas com sigilo da fonte respeitado.
Ao apresentar o protocolo, a secretária Nacional de Justiça destacou que a medida inclui atenção especial a casos de desaparecimentos de jornalistas, além de considerar vulnerabilidades por gênero, raça e condição socioeconômica. Ela ressaltou que a imprensa pode expor contextos de risco e violações.
Durante a cerimônia no Palácio do Planalto, o ministro da Justiça enfatizou que o documento adota padrões internacionais de proteção à liberdade de imprensa e visa tornar as respostas do Estado mais qualificadas e céleres, sempre observando o contexto da atividade jornalística.
A ministra dos Direitos Humanos reforçou que a proteção aos profissionais envolve prevenção, investigação e responsabilização, ampliando o alcance das ações do Estado para defensoras, defensores de direitos humanos, jornalistas e ambientalistas atuantes em territórios de conflito.
Laércio Portela, secretário de imprensa da Secom, lembrou o papel histórico da imprensa e afirmou que o protocolo representa compromisso com a verdade e com a democracia, assegurando proteção física e liberdade de atuação para jornalistas.
Protocolo Nacional
A iniciativa formaliza diretrizes para a atuação das forças de segurança, com foco em o que fazer imediatamente para proteger vítimas, como qualificar investigações e como manter a integridade das provas, além de ouvir as vítimas de forma segura e respeitosa.
David Butter, diretor-geral da EBC, destacou que a implementação do protocolo facilita o fluxo de informações de interesse público, reduzindo riscos de censura governamental e fortalecendo a atuação de jornalistas em serviço público.
A EBC participa destacando veículos como Agência Brasil, Rádio Nacional e TV Brasil, que passam a ter o protocolo como base para a atuação de profissionais de comunicação pública, fortalecendo o papel da imprensa institucional na democracia.
Concurso Dom e Bruno
Ainda na cerimônia, foi lançado o Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e Comunicação em Defesa do Meio Ambiente, Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais. Inscrições vão de 30 de março a 21 de maio.
O concurso contempla seis categorias, incluindo reportagem e audiovisual, com participação de jornalistas, comunicadores indígenas e profissionais vinculados a comunidades tradicionais. O prêmio homenageia Dom Phillips e Bruno Pereira, assassinados em 2022 no Javari (AM).
Gabriela Di Bella, assessora da Univaja, destacou a importância do trabalho de comunicadores indígenas e de comunidades locais para registrar violações e defender direitos, sobretudo em regiões de risco. Ela enfatizou a vulnerabilidade de profissionais que atuam no território.
A professora ressaltou ainda o desafio de proteger esses comunicadores na floresta diante do avanço digital e do uso de redes para disseminar desinformação, destacando a necessidade de educação digital para a defesa de comunidades.
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