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Propostas sobre IA ampliam controle e vigilância, dizem especialistas

Relatório aponta IA atingindo maior parte das propostas em segurança pública (quase 48%), com impactos de vigilância e privacidade no Estado democrático de direito

Plenário da nova sede da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), no Edifício Lúcio Costa, na Rua da Ajuda, centro da cidade.
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  • Dossiê da Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial analisou 183 proposições sobre IA em assembleias de cinco estados (RJ, SP, ES, PR e SC) entre 2023 e 2025.
  • Segurança pública é o setor com maior participação, respondendo por quarenta e oito por cento das propostas; educação aparece em vindo em torno de vinte e dois por cento.
  • Temáticas como processamento de dados, trabalho, meio ambiente, proteção ao consumidor e saúde mental ficam abaixo de dez por cento.
  • PSDB, União e PSD lideram a produção legislativa sobre IA, com referência a diretivas de videomonitoramento e reconhecimento facial em comissões de Segurança Pública.
  • As propostas em segurança pública costumam mirar monitoramento urbano, uso de drones, centros de monitoramento e fundos para IA, com destaque para preocupações sobre privacidade e a LGPD.

O Dossiê Orçamentário 2026, elaborado pela Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial (IDMJR), analisa a atuação parlamentar em assembleias legislativas de cinco estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina. O estudo identifica propostas envolvendo inteligência artificial (IA) e aponta o foco dominante em controle e vigilância.

Entre 2023 e 2025, o levantamento registra 183 proposições sobre IA nesses estados. A área de segurança pública concentra a maior parte das matérias, correspondendo a 48%. Em seguida vem a educação, com 22%, incluindo propostas de programas e diretrizes que envolvam IA para estudantes.

Outras temáticas que utilizam IA, como processamento de dados, trabalho, meio ambiente, proteção ao consumidor e saúde mental, não atingem 10% das proposições. O relatório aponta que PSDB, União e PSD lideram a produção legislativa sobre IA, com fortes sinais de alinhamento entre políticas de tecnologia e policiamento.

O relatório destaca que os projetos ligados à IA na segurança pública costumam enfatizar monitoramento urbano, por meio de câmeras, drones e reconhecimento facial. Também incluem programas de vigilância, aquisição de drones, centros de monitoramento e sistemas integrados de reconhecimento facial.

A pesquisa cita ainda a criação de observatórios de segurança de cargas e de fundos para financiar usos de IA na segurança pública, bem como a instalação de totens de segurança blindados. As propostas são apresentadas como instrumentos para atuar no policiamento ostensivo.

O documento ressalta preocupações sobre o alcance dessas tecnologias, afirmando que o uso de novas tecnologias pode impactar a privacidade e o Estado Democrático de Direito, respaldando preocupações com a LGPD e a proteção de dados. A matéria enfatiza, porém, que a LGPD decorre da Constituição Federal.

A IDMJR descreve a produção legislativa como parte de um debate mais amplo sobre segurança pública e racismo estrutural. O dossiê reforça que a organização atua no enfrentamento à violência do Estado, buscando ampliar a discussão sobre impactos das políticas públicas nas populações vulneráveis.

Mudanças significativas no tema

O relatório aponta que a maior parte das proposições analisa IA como ferramenta de vigilância e controle. A educação aparece como segundo eixo relevante, mas com menor peso relativo frente à segurança pública.

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