- Nikolas Ferreira (PL-MG) teve atuação concentrada nas redes e em pautas polêmicas; recorde de votos em Minas Gerais, mas com pouca divulgação de projetos no plenário; presidiu a Comissão de Educação em 2024 e enfrentou polêmicas, como declarações transfóbicas, além de ter apresentado projetos em 2023 e comentado sobre possível cobrança de taxas no PIX no ano seguinte.
- Guilherme Boulos (PSOL) manteve atuação discreta na Câmara; liderou a federação PSOL/Rede em 2023 e esteve à frente de comissões de Desenvolvimento Urbano, Finanças e Tributação e Cultura; relatou cinco projetos que viraram leis, incluindo o Programa de Aquisição de Alimentos, e progrediu na política durante a gestão de ministro quando assumiu grupo de trabalho sobre trabalhadores por aplicativo.
- Carla Zambelli (PL) ficou marcada por envolvimento na Justiça e por ações de perseguição; condenada pelo STF por invasão ao CNJ e por incidentes com eleitores, renunciou ao mandato em dezembro de 2025 e, antes disso, ocupou funções na Secretaria da Mulher; atuou com pouca presença na Câmara.
- Eduardo Bolsonaro (PL) teve papel proeminente em comissões, chegou a presidir Relações Exteriores; licenciou-se para o exterior em 2025 e, no fim do ano, perdeu o mandato por excesso de faltas; computou 502 projetos apresentados, com apenas dois aprovados, e atuou como líder da minoria e vice-líder de oposição.
- Ricardo Salles (PL, depois Novo) foi figura de destaque na CPI do MST e mudou de partido em 2024, buscando vaga no Senado; apresentou 559 projetos, com três aprovados, e relatou 16, entre eles textos sobre ocupação de terras e uso de recursos públicos, mantendo postura de oposição ao governo Lula.
Quase quatro anos após ficarem entre os deputados mais votados em 2022, Nikolas Ferreira, Guilherme Boulos, Carla Zambelli, Eduardo Bolsonaro e Ricardo Salles viram suas trajetórias marcadas por controvérsias fora de pautas estritamente legislativas. Dois deles perderam o mandato ao longo do período.
Os cinco nomes tiveram votações expressivas: Nikolas Ferreira (PL/MG) liderou com 1,49 milhão de votos; Guilherme Boulos (PSOL) teve 1,00 milhão; Carla Zambelli (PL) somou 946 mil; Eduardo Bolsonaro (PL) ficou com 741 mil; Ricardo Salles (PL) chegou a 640 mil votos, todos em estado de São Paulo, exceto Ferreira.
Nikolas Ferreira ficou conhecido pela atuação nas redes e por declarações polêmicas contra deputadas transexuais. No plenário, concentrou-se em ações midiáticas, não destacando-se pela aprovação de grandes projetos. Em 2023, apresentou dois textos no plenário.
Histórico parlamentar e resultados
Um projeto visava disciplinar o bloqueio de contas de membros do Congresso nas redes, com relatoria dele na Comissão de Comunicação; não chegou a ser votado ao fim de 2023. Outro texto propunha endurecer pena para venda de remédios abortivos, tramitando na Comissão da Mulher.
No ano de estreia, ocorreu episódio de transfobia no plenário, ao vestir uma peruca e afirmar que mulheres perdem espaço para homens que se sentem mulheres. O caso provocou pedidos de cassação e abertura de apuração pelo MPF, sem prosperar.
A presidência da Comissão de Educação, assumida em 2024, teve impacto limitado em pautas conservadoras como homeschooling. Em 2025, houve recuo do governo em relação a uma portaria que ampliava fiscalização da Receita sobre transações digitais, com Nikolas fazendo uma menção pública ao PIX.
Guilherme Boulos atuou de forma menos presente na Câmara, mas ocupou provolimento relevante como líder da Federação PSOL/Rede em 2023. Comissões de Desenvolvimento Urbano, Finanças e Tributação e Cultura contaram com sua atuação.
Entre as ações, Boulos relatou cinco projetos que viraram lei, incluindo programa de compras alimentares para órgãos públicos que priorizava agricultores familiares. O apoio a uma absolvição em processo ético gerou críticas da oposição.
O deputado também integrou discussões sobre regulamentação de trabalhadores por aplicativos, propondo aumentar a remuneração mínima e apresentando uma versão alternativa à proposta de relator. O tema ganhou contornos durante o período em que já ocupava cargo no governo.
Carla Zambelli ficou marcada por problemas judiciais, com condenação pelo STF por invasão ao CNJ e perseguição armada a eleitor pouco antes de 2022. Abandonou a Câmara após a condenação e, posteriormente, buscou refúgio no exterior, inclusive com extradição discutida pela Itália.
Antes de renunciar em 2025, Zambelli relatou apenas dois projetos. A deputada teve atuação em Secretaria da Mulher e nas comissões de Educação e Relações Exteriores e Defesa Nacional. A trajetória trouxe consequências jurídicas significativas para o currículo parlamentar.
Eduardo Bolsonaro permaneceu como titular em várias comissões, chegando a presidir a de Relações Exteriores. O PT intensificou a vigilância sobre a escolha, vinculando-a a preocupações com atuação em foro externo. Em 2025, transferiu-se aos EUA para articulacões políticas.
Em 18 de abril de 2025, solicitou licença para permanecer no exterior; posteriormente, a nomeação para liderança da minoria ficou sob avaliação. O retorno ao Brasil foi inviabilizado pela ausência prolongada, que culminou na perda do mandato em dezembro de 2025 por faltas excessivas.
Ricardo Salles, eleito pelo PL, migraria para o Novo em 2024 após tentativas frustradas de disputar prefeitura de São Paulo. A mudança ocorreu após rejeição interna no PL. Salles coordenou a CPI do MST, com fortes disputas entre blocos de direita e esquerda.
Durante o mandato, apresentando 559 projetos, Salles teve apenas três aprovados, incluindo uma PEC sobre reserva de orçamento para desastres. O tema ambiental voltou a pautar a atuação, com ênfase na oposição ao governo Lula.
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