- A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou Alcides Hahn, de 71 anos, a 14 anos de prisão em regime fechado por suposto golpismo relacionado a um pix de 500 reais para apoiar manifestantes que foram a Brasília no dia 8 de janeiro de 2023.
- A condenação foi baseada no conceito de “crime multitudinário”, que pune pela ligação ao grupo, mesmo que a pessoa não tenha comprovadamente participado diretamente.
- Hahn não viajou com os demais apoiadores; apenas um dos 41 passageiros chegou à praça dos Três Poderes naquele dia.
- A decisão teve quatro votos a zero, com a ressalva de Cristiano Zanin, que achou a pena dura demais.
- Crítico editorial da Gazeta do Povo questionou a proporcionalidade da punição, comparando o caso a cenários de punição por intenção sem ação comprovada.
Um idoso de 71 anos foi condenado pela Primeira Turma do STF a 14 anos de prisão em regime fechado, por golpe de Estado, associação criminosa e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. A condenação teve como base um Pix de R$ 500 destinado a apoiadores de manifestações em Brasília, em 8 de janeiro de 2023.
A decisão envolveu quatro votos favoráveis entre os ministros, com ressalva de Cristiano Zanin, que considerou a pena excessiva. O condenado, Alcides Hahn, morador de Blumenau (SC), não viajou para Brasília e permaneceu em casa. Dos 41 passageiros do ônibus, apenas um alcançou a praça dos Três Poderes no dia do protesto.
Elementos da condenação e contexto processual
A PGR não conseguiu provar, nem sequer tentou, que o único passageiro que chegou à praça tenha praticado vandalismo ou crime. Mesmo assim, Hahn foi enquadrado no conceito de “crime multitudinário”, que exige vínculo com o grupo e participação indireta, mesmo sem ações individuais comprovadas.
Ao longo da sessão, magistrados usaram a ideia de adesão subjetiva à suposta empreitada criminosa para justificar a pena. A defesa informou que não houve participação direta do réu em atos de violência. O veredito, portanto, baseou-se na ligação ao grupo e na doação financeira.
Observações e repercussão
A decisão gerou críticas de veículos de opinião, que ressaltaram o caráter simbólico do valor doação. Em editorial citado pela imprensa, o episódio é comparado a uma linha de ficção científica na qual a punição se dá pela intenção, não pelo ato comprovado.
Especialistas destacam que o caso suscita questões sobre o uso de critérios amplos para caracterizar participação em crimes, especialmente quando não há registro de atos praticados pelo condenado. O STF não informou outros desdobramentos ou recursos em aberto.
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