- Flávio Bolsonaro tornou-se senador em 1º de fevereiro de 2019 e, desde então, realizou 193 falas no plenário, com recorde de 83 intervenções em 2024.
- Entre os temas recorrentes estão a defesa de Jair Bolsonaro, críticas a Luiz Inácio Lula da Silva e à esquerda, e a prioridade à segurança pública e ao combate à criminalidade, incluindo defesa do porte de armas para civis.
- O senador também criticou o Supremo Tribunal Federal e o ministro Alexandre de Moraes, defendendo a abertura de impeachment em alguns momentos.
- As falas incluem defesa dos atos de 8 de janeiro de 2023 e apoio aos condenados, além de acusações de perseguição ao pai.
- Em âmbito internacional, houve menções a conflitos como Israel versus Hamas e a apoio a figuras como Charlie Kirk, mantendo tom alinhado à direita.
Flávio Bolsonaro, senador pelo PL desde fevereiro de 2019, tem usado o plenário do Senado para sinalizar temas que podem guiar sua campanha presidencial em 2026. Ao todo, a Gazeta do Povo analisou 193 falas no plenário entre 2019 e 2025, excluindo participações em comissões.
A investigação levou em conta discursos, pedidos de ordem, orientações de bancada e encaminhamentos registrados no sistema do Senado. O levantamento mostra aumento remoto de participação ao longo do tempo, com recorde de 83 intervenções em 2024.
Entre os temas recorrentes estão a referência ao governo do pai, Jair Bolsonaro, a defesa de políticas de segurança pública, críticas ao governo Lula e a esquerda, além de críticas ao STF, com ênfase em Moraes. Também aparecem menções aos atos de 8 de janeiro de 2023.
Marca do mandato na defesa de Jair Bolsonaro e críticas a Lula
Flávio alterna elogios ao antecessor com críticas à gestão de Lula, associando o peso do legado do pai a uma linha dura contra adversários políticos. Em 2023, o senador sugeriu que houve tentativa de prejudicar a imagem de Jair Bolsonaro sem comprovação de corrupção.
Em 2024, ele elogiou o desempenho de Jair Bolsonaro durante a pandemia, afirmando que o governo não deixou faltar recursos e que o Congresso colaborou para evitar danos à população. Também afirmou que Lula atua com vingança contra seus adversários.
O tom próximo ao de 2023 reforça a leitura de que a comparação entre governos é um eixo de comunicação frequente para o senador, com o alvo principal sendo Luiz Inácio Lula da Silva na eleição de 2026.
Segurança pública como eixo central da atuação
O tema segurança pública aparece com frequência, inclusive em visitas ao Nordeste, onde o endurecimento das leis penais e o combate a facções são defendidos como respostas à criminalidade. O senador também destaca a atuação policial como prioritária.
Defesas da polícia civil e do uso de medidas mais rígidas contra criminosos aparecem em discursos de 2023 e 2024, com críticas à descriminalização de determinadas drogas e ao que chama de “poder paralelo” financeiro que financia a criminalidade.
Em 2024, o tema da posse de armas para civis surge como outra linha de defesa, com argumentos a favor do direito de defesa e do cumprimento de requisitos legais para o acesso a armamentos.
STF, 8 de janeiro e debates sobre punições
O STF, especialmente o ministro Alexandre de Moraes, aparece como alvo de críticas frequentes, com menções a caminhos institucionais para eventuais medidas contra ministros. Flávio também aborda a condução de julgamentos e o equilíbrio entre os Poderes.
Sobre os atos de 8 de janeiro de 2023, o senador criticou as condenações e questionou a proporcionalidade de penas, defendendo que algumas sanções foram desproporcionais para determinados réus. A defesa de um debate institucional sobre o tema é visível nos discursos.
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