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CPI aponta uso de jatos de banqueiro para quatro ministros e Gilmarpalooza

Relatório da CPI aponta jatos ligados a Vorcaro usados por quatro ministros do STF, com custos acima de R$ 1 milhão e indícios de favorecimento institucional

Senadores fazem leitura do relatório final da CPI do Crime Organizado (Foto: Saulo Cruz/Agência Senado)
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  • CPI divulgou relatório final que aponta uso de jatos executivos ligados a Daniel Vorcaro por quatro ministros do Supremo Tribunal Federal, incluindo o Fórum de Lisboa, conhecido como Gilmarpalooza.
  • Moraes é apontado como o ministro que mais utilizou a estrutura aérea ligada a Vorcaro, com oito viagens registradas entre maio e outubro de dois mil e vinte e cinco.
  • O relatório registra que sete dos oito deslocamentos ocorreram em jatos da Prime Aviation, empresa da qual Vorcaro era sócio, com custos superiores a R$ 1 milhão.
  • Gilmar Mendes é citado por uso de aeronaves associadas ao grupo Vorcaro, incluindo fretamentos para o Fórum de Lisboa e um jato da Prime You em janeiro de dois mil e vinte e cinco.
  • Kassio Nunes Marques também aparece, tendo viajado com a esposa para Maceió em aeronave ligada ao grupo, segundo o relatório, com explicação de convite de uma advogada responsável pela organização do jato.

O relatório final da CPI do Crime Organizado afirma que jatos executivos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro foram usados por quatro ministros do STF. O documento, assinado pelo relator senador Alessandro Vieira, aponta a operação denominada Vorcaro Air.

Segundo a CPI, dois jatinhos partiram para o Fórum de Lisboa, evento conhecido como Gilmarpalooza, com retorno a Brasília. A investigação sustenta que Vorcaro utilizou seu poder econômico para favorecer parcelas do aparato estatal por meio de patrocínios e disponibilização de aeronaves.

Entre os alvos está o ministro Alexandre de Moraes, apontado como líder em registros de voos. O relatório diz que Moraes esteve envolvido em oito viagens entre maio e outubro de 2025, período em que ocorreram pagamentos vinculados ao escritório de sua esposa.

A maior parte dos deslocamentos, diz o documento, foi realizada em jatos da Prime Aviation, ligada à Vorcaro. Em 7 de agosto de 2025, Moraes e sua esposa teriam viajado num jato Falcon 2000 de uma empresa associada ao grupo, sem autorização de táxi aéreo, segundo a Anac.

O custo total das viagens supera R$ 1 milhão, conforme o relatório. Além disso, mensagens de Vorcaro para sua então noiva mencionam encontros com alguém identificado como Moraes, em datas próximas aos voos.

A apuração também aponta uso do terminal executivo de Brasília por Dias Toffoli, com registros de ao menos dez acessos em 2025. Em cinco ocasiões, as decolagens teriam envolvido parceiros de Vorcaro, conforme o documento.

Uma viagem de Toffoli a Lima, no Peru, para acompanhar a final da Libertadores de 2025, é citada entre os fatos. Em julho de 2025, Toffoli embarcou em avião ligado ao grupo, com participação de um advogado de executivo do Banco Master, diz o relatório.

Toffoli confirmou participação na empresa Maridt, que vendeu participação de um resort a um fundo controlado pelo cunhado de Vorcaro, segundo o relatório. O documento também registra voos vinculados a outras empresas do grupo Master.

Moraes e Toffoli foram procurados pela reportagem, mas não se manifestaram. O espaço permanece aberto a novas declarações. Em março, Moraes afirmou que não realizou viagens em aeronaves ligadas a Vorcaro, classificado o conteúdo como falsa informação pela assessoria.

O relatório cita ainda que o escritório da esposa de Moraes alegou que os voos eram “compensação de honorários” e que houve participação do ambiente formal de contratos. Não houve, segundo o documento, indício de participação direta de Vorcaro nesses custos.

Além de Moraes e Toffoli, o texto aponta o uso de jatos ligados ao grupo por Kassio Nunes Marques. O ministro viajou com a esposa para Maceió, acompanhado por uma advogada responsável pela organização do frete, segundo o relatório.

Nunes Marques afirmou, em abril, que a viagem ocorreu a convite de uma advogada e que não houve participação dele nos custos ou na logística. O ministro explicou que o deslocamento foi para uma comemoração de aniversário.

Para chegar ao material, a CPI cruzou dados de registros internos do STF, do terminal de aviação de Brasília e de órgãos como Anac, Decea e o Registro Aeronáutico Brasileiro, além de mensagens e arquivos apreendidos pela PF. O relatório aponta encontros no fim de maio de 2024 com Moraes na residência de Vorcaro.

O documento também cita gastos com atividades paralelas em Portugal durante o Fórum, estimados em US$ 1,6 milhão, além de fretamentos de aeronaves para o evento, com custo total de cerca de US$ 232,6 mil. Esses montantes são usados para fundamentar pedidos de indiciamento.

Gilmar Mendes reagiu, defendendo que a PGR investigue o relator por abuso de autoridade e classificou o relatório como ataque institucional. Ele afirmou que CPIs não têm competência para indiciar autoridades em crimes de responsabilidade.

A CPI indica que o chefe da investigação não pediu o indiciamento de Mendes, Toffoli, ou Moraes, mas cita o tema no conjunto de dados. O relatório segue aguardando manifestações oficiais.

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