- O ex-presidente do INSS, Gilberto Waller Junior, responsabilizou o Ministério da Previdência Social pela fila de benefícios, após ser demitido nesta segunda-feira.
- A fila soma cerca de 2,7 milhões de pedidos até março; mais de 821 mil pessoas aguardam há mais de 45 dias, maioria por perícia médica, conforme dados do INSS.
- Waller argumenta que a maior parte dos atrasos depende da perícia médica, de responsabilidade do ministério, e não da estrutura do INSS; ele afirma que a gestão dele já havia reduzido o tempo de espera.
- O ministério informou que a redução da fila veio de mutirões, contratação de 500 peritos, telemedicina e novos sistemas; o INSS também retomou o pagamento do bônus de desempenho a servidores para reduzir a demanda.
- Segundo nota técnica do INSS, falhas da Dataprev geraram prejuízo superior a R$ 233 milhões entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2026, com incidentes sistêmicos que impactaram a produtividade.
O ex-presidente do INSS, Gilberto Waller Junior, foi demitido na segunda-feira e atribuiu a responsabilidade pela longa fila de benefícios ao Ministério da Previdência Social. A mudança no comando ocorreu sob pressão política do governo para reduzir o estoque de pedidos acumulados. A grain de fundo é a promessa de campanha não cumprida e o contexto da corrida eleitoral.
Waller afirmou que a maior parte dos casos em atraso depende de perícia médica, tarefa sob responsabilidade do ministério, e não da estrutura do INSS. Em entrevista à Folha de S. Paulo, ele sustentou que, se a fila é o problema, quem deveria ser exonerado não seria alguém do INSS. Segundo dados do próprio órgão, mais de 821 mil pessoas aguardam mais de 45 dias pela análise, maior parte encaminhada para perícia.
A frustração de Waller com a demissão foi reforçada ao apontar que sua gestão já havia reduzido o tempo médio de espera. Ele destacou, ainda, que o INSS registrou recorde de concessões em março, com 890 mil benefícios liberados, enquanto 1,6 milhão de pedidos passaram por análises no mesmo período. A fila total, até março, somava cerca de 2,7 milhões de pedidos.
Causas e responsabilizações
Uma nota técnica do INSS atribui parte da demora a falhas tecnológicas, responsabilizando a Dataprev por incidentes sistêmicos com impacto direto na produtividade. Segundo o relatório, esses problemas teriam gerado prejuízos superiores a 233 milhões de reais entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2026, com quedas de produção significativas nas Centrais de Análise de Benefícios.
Waller afirmou não ter sido comunicado diretamente pelo ministro da Previdência nem pelo presidente da República sobre a demissão; a comunicação foi feita pelo secretário-executivo da pasta. O advogado-geral da União, Jorge Messias, confirmou a indicação dele ao cargo no ano anterior.
O ex-presidente chegou ao comando do INSS em abril do ano passado, substituindo Alessandro Stefanutto, que foi demitido após pressões no governo relacionadas a suspeitas no esquema investigado pela Polícia Federal. As apurações apontaram envolvimento de integrantes de altas esferas em irregularidades que atingiam aposentados e pensionistas.
Medidas para reduzir a fila
O Ministério da Previdência destacou, em nota, ações para reduzir o estoque de pedidos, como mutirões, contratação de 500 peritos, telemedicina e novos sistemas de análise. O INSS também retomou, no início deste ano, o pagamento de bônus de desempenho a servidores como parte da estratégia de reduzir a fila.
O programa de gerenciamento de benefícios também criou um cadastro nacional unificado para processos como aposentadorias, auxílios-doença e reavaliação do BPC, com foco na melhoria da produtividade. A meta é diminuir os requerimentos represados acima de 45 dias, período que acarreta correção monetária e custos maiores para a Previdência.
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