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Ministério do Trabalho demite secretário após BYD entrar na lista suja

Ministério demite secretário de Inspeção do Trabalho após incluir BYD na lista suja; Justiça retirou o cadastro dois dias depois, por decisão administrativa

Ministro Luiz Marinho em visita a Piracicaba — Foto: Reprodução/EPTV
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  • O secretário de Inspeção do Trabalho, Luiz Felipe Brandão de Mello, foi exonerado após incluir a BYD na lista suja de trabalho escravo.
  • A BYD entrou no cadastro na segunda-feira, 6 de abril, e foi retirada dois dias depois por decisão da Justiça.
  • Fontes dizem que o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, orientou adiar a inclusão e que a exoneração ocorreu após o secretário não acatar essa orientação. A demissão foi oficializada no Diário Oficial da União em 13 de abril.
  • Safiteba e Anafitra afirmam que a exoneração está ligada à inclusão da BYD e criticam possíveis interferências na fiscalização trabalhista.
  • A lista suja é atualizada a cada seis meses; a BYD contratou trabalhadores por meio de terceirizadas na obra da Bahia, e houve acordo de R$ 40 milhões entre o MPT-BA e a BYD em 2025 relacionado a trabalho análogo à escravidão.

O Ministério do Trabalho exonerou o secretário de Inspeção do Trabalho, Luiz Felipe Brandão de Mello, após ele ter incluído a BYD na chamada “lista suja” de empregadores com condições análogas à escravidão. A exoneração foi publicada no Diário Oficial da União desta segunda (13).

A BYD entrou na lista na última segunda (6) e saiu dois dias depois, após decisão da Justiça. Fontes afirmam que o secretário desobedeceu a orientação de não incluir a montadora, dada pelo ministro do Trabalho, Luiz Marinho.

Segundo o G1, o órgão responsável pela atualização da lista seguiu os procedimentos legais, com assinatura de uma chefe da Coordenação-Geral de Combate ao Trabalho Escravo. A Justiça determinou a retirada da empresa temporariamente.

Contexto da lista suja

Safiteba e Anafitra afirmam que a exoneração está relacionada à inclusão da BYD na lista. Profissionais da fiscalização destacam que houve atraso orientado pelo ministro e avaliação de que a decisão violaria procedimentos técnicos.

A BYD havia entrado na lista após denúncias envolvendo trabalhadores chineses resgatados em dezembro de 2024, em obra na Bahia. Naquele caso, 163 trabalhadores foram contratados por empresas terceirizadas para a construção da fábrica em Camaçari.

O MPT-BA fechou acordo de R$ 40 milhões com a BYD e duas empreiteiras no fim de 2025, em ação por trabalho análogo à escravidão. A montadora afirmou que não tolera desrespeito à legislação e reforçou o compromisso com direitos humanos.

Reações e desdobramentos

O Ministério do Trabalho emitiu nota dizendo que a exoneração trata de ato administrativo de gestão, prerrogativa de ministro. O G1 questionou o secretário, mas não houve resposta imediata.

Safiteba criticou a exoneração e a atuação do ministro, citando uso de mecanismos como avocação para influenciar decisões. A entidade aponta risco à autonomia da fiscalização e à credibilidade da lista.

Anafitra afirmou que o episódio representa interferência em processos já concluídos e pode sinalizar retaliação institucional. A associação ressaltou a importância da independência da fiscalização no enfrentamento de abusos trabalhistas.

A decisão da justiça sobre a inclusão da BYD na lista permanece em análise, com efeitos de possível restrição de crédito e reputação empresarial até o julgamento final.

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