- O advogado Daniel Monteiro foi preso nesta quinta-feira pela Polícia Federal durante a quarta fase da Operação Compliance Zero.
- A homenagem recebida por Monteiro em dezembro de 2024 na Assembleia Legislativa da Bahia foi proposta pelo deputado Rosemberg Pinto (PT) e envolveu a entrega do título de Cidadão Baiano.
- A investigação envolve atuação para viabilizar ocultação patrimonial a partir de fundos geridos pela Reag, com possíveis propinas ao ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
- A PF identificou seis imóveis usados como vantagem indevida a Costa, avaliados em R$ 146 milhões, com indícios de benefício econômico próprio de Monteiro de pelo menos R$ 86 milhões.
- O histórico liga Monteiro à privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), à operação Credcesta e à aquisição envolvendo Augusto Lima (Banco Pleno) e Daniel Vorcaro (Banco Master).
Daniel Monteiro, advogado ligado ao grupo próximo a Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal na quinta-feira (16) durante a quarta fase da Operação Compliance Zero. A PF investiga esquema de ocultação patrimonial envolvendo fundos da Reag e pagamento de propinas a agentes públicos, com desdobramentos em imóveis avaliados em milhões de reais. A prisão integra ação que também levou à detenção do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
Em dezembro de 2024, Monteiro recebeu uma homenagem na Assembleia Legislativa da Bahia, após decisão de um ministro do STF autorizar a operação. A cerimônia incluiu apresentação da banda da Polícia Militar e concessão do título de Cidadão Baiano, proposta pelo deputado Rosemberg Pinto (PT). O evento ocorreu no âmbito de homenagens a atuação do advogado no processo de privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal).
Contexto da operação e vínculos
A força-tarefa aponta atuação de Monteiro para viabilizar uma operação de ocultação patrimonial com fundos geridos pela Reag, segundo a decisão de André Mendonça, então relator do caso. Foram identificados seis imóveis usados como vantagem indevida ao ex-presidente do BRB, estimados em R$ 146 milhões, com indícios de benefício econômico próprio de Monteiro em valor não inferior a R$ 86 milhões.
Implicações e elos entre atores
A privatização da Ebal—dona da rede Cesta do Povo—ocorreu em 2018, sob gestão do então governador Rui Costa, hoje ministro da Casa Civil. O Credcesta, cartão de crédito para servidores, ganhou projeção ao ser associado ao Master, adquirido por Augusto Lima, que depois se uniu a Daniel Vorcaro. Monteiro atuou como assessor na aquisição promovida por Lima.
Trajetória e reações
Nascido em São Paulo, Monteiro abriu em Salvador, em 2022, o escritório Monteiro, Rusu, Cameirão e Bercht Advogados. Em discurso na ocasião, o advogado considerou Augusto Lima como facilitador de oportunidades no estado. A homenagem também contou com a presença de deputados e representantes oficiais, entre eles Otto Alencar Filho (PSD) e Eduardo Sodré, secretário do Meio Ambiente, que representou o governador.
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