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Alckmin e Guimarães mostram divergência do governo sobre a ‘taxa das blusinhas’

Divisão no Planalto sobre a taxação das blusinhas expõe divergência entre revogar o tributo e mantê-lo, com possível impacto na dívida e na inflação

O vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro de Relações Institucionais José Guimarães
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  • Guimarães defendeu a revogação da taxação das blusinhas, dizendo que a aprovação do tributo foi um erro.
  • Alckmin afirmou não haver decisão de revogar e pediu a continuidade da taxação, destacando que a tarifa fica abaixo da produção nacional.
  • Guimarães disse que, se necessário, pode aumentar o endividamento do país para “salvar a economia popular”; a Fazenda reforçou compromisso com a redução sustentável da dívida.
  • A dívida bruta do governo chegou a 79,2% do PIB em fevereiro; o FMI projeta a dívida atingindo 100% do PIB em 2027.
  • O governo prepara novas medidas econômicas para conter inflação, com debates sobre tributos e desonerações, em meio a tensões entre gastos sociais e austeridade fiscal.

O Palácio do Planalto ficou em evidência nesta quinta-feira (16) por sinalizar uma divisão interna sobre a taxação das blusinhas, imposto de importação sobre encomendas internacionais e o ritmo da dívida pública. As falas ocorreram em ao menos dois momentos distintos, com o presidente em exercício ausente por viagem.

José Guimarães, novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, defendeu a revogação da taxação das blusinhas em café da manhã com jornalistas. Ele afirmou que, caso o governo opte pela revogação, a medida seria positiva, reconhecendo desgaste político causado pela atual tributação.

Horas depois, ainda no Planalto, Geraldo Alckmin, presidente em exercício, afirmou que não há decisão de revogação e manteve o apoio à taxação. Ele explicou que a tarifa atual é menor que a produção nacional, mesmo somando impostos adicionais.

Divisão interna no Planalto

Em outra linha de atuação, Guimarães sugeriu aumentar o endividamento público para defender a economia popular, se necessário. O Ministério da Fazenda, porém, divulgou nota reiterando o compromisso com a redução sustentável da trajetória da dívida.

A dívida bruta do governo geral atingiu 79,2% do PIB em fevereiro, equivalente a 10,2 trilhões de reais, com alta de 0,5 ponto percentral em relação a janeiro. O FMI projeta a dívida brasileira chegando a 100% do PIB em 2027.

Guimarães citou a Lei de Diretrizes Orçamentárias com meta de superávit de 0,5% do PIB como exemplo de responsabilidade fiscal. A posição dele contrasta com setores que defendem maior gasto público em ano eleitoral.

O governo avalia novas medidas econômicas para enfrentar a alta de preços de combustíveis, agravada pela guerra no Oriente Médio. Segundo Guimarães, iniciativas já tomadas são insuficientes e novas ações estão em estudo pela Casa Civil e pela Fazenda.

Além disso, há preocupação com o endividamento das famílias, especialmente pelo uso do cartão de crédito, e a possibilidade de aumentar a tributação sobre bens de consumo não essenciais. A inflação continua entre as prioridades do Planalto, que aguarda retorno de Lula do exterior para ampliar o debate.

No Congresso, a base governista trabalha para aprovar o projeto de lei de Lula que pretende encerrar a escala 6×1 no ambiente de trabalho, ainda sem definição de transição. O Planalto sinaliza resistência a novas desonerações a empresas.

As avaliações sobre o impacto político das medidas indicam que a popularidade deverá influenciar a decisão de parlamentares, em meio a um orçamento federal já pressionado pela situação fiscal.

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