- O congressista de esquerda Roberto Sánchez ganha força na corrida presidencial peruana, defendendo novo contrato social e maior controle estatal sobre recursos naturais.
- Sánchez pode enfrentar Keiko Fujimori no segundo turno marcado para 7 de junho, com apuração que já contabiliza quase 92% dos votos.
- Suas propostas incluem convocar uma assembleia constituyente, revisar contratos de mineração e gás, taxar lucros extraordinários e criar imposto sobre grandes fortunas; ele diz não haver expropriação.
- Mercados reagiram com nervosismo, com queda do sol peruano frente ao dólar e recuo do principal índice da bolsa, alimentados pela proximidade de Sánchez com Castillo.
- Observadores destacam potencial continuidade com o governo de Castillo e a influência de um Congresso com tendências conservadoras, impactando o cenário econômico.
Roberto Sánchez, congressista de esquerda, ganhou força na corrida presidencial do Peru, elevando a nervosidade dos mercados. Sua plataforma propõe maior controle estatal sobre recursos naturais e revisões em contratos de mineração, com foco em reduzir desigualdades. A apuração parcial aponta que pode enfrentar Keiko Fujimori no segundo turno em 7 de junho.
O cenário acompanha a reta final da campanha, em Lima, onde Sánchez destacou a necessidade de um novo começo econômico e social para o Peru. O ex-ministro do governo de Pedro Castillo apresenta proposta de assembleia constituyente para redigir uma nova Constituição, substituindo o texto vigente desde os anos 1990.
Os resultados até a noite de quarta-feira mostravam Sánchez com cerca de 12% dos votos, atrás de Fujimori, que tinha aproximadamente 17%. A eleição tem sido marcada por atrasos na apuração e alegações de irregularidades, com quase 92% das cédulas verificadas.
Observadores ressaltam problemas no processo, mas não encontraram evidências consistentes de fraude. A disputa pelo segundo lugar ganhou importância para investidores, dada a possibilidade de mudanças constitucionais e reavaliação de contratos de mineração e gás.
A atuação de Sánchez a partir de uma base rural e indígena acende preocupações entre o mercado sobre estabilidade macroeconômica. Sua relação com Castillo, que recebe apoio de setores de esquerda, influenciaria a leitura de políticas futuras.
Em perspectiva econômica, o candidato defende taxação de lucros extraordinários, imposto sobre grandes fortunas e maior participação do Estado em recursos naturais, sem expropriação de propriedades. A ideia é reduzir a desigualdade associada à riqueza mineral.
Analistas apontam que o equilíbrio entre forças políticas deve influenciar a capacidade de mudanças, independentemente do resultado. A previsão de que Fujimori avance ao segundo turno implica continuidade de um Congresso com fortes tendências conservadoras.
Investidores já reorientam posições diante do cenário, com o peso da moeda peruana e a bolsa de Lima sujeito a variações conforme o desenrolar da apuração. A expectativa é de maior clareza após a confirmação oficial do segundo turno.
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