- A Polícia Federal interceptou mensagens que mostram Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, afirmando que o governador Ibaneis Rocha pediu ajuda para justificar a aquisição de ativos do Banco Master pelo BRB.
- Costa autorizou a compra de R$ 12 bilhões em créditos podres do Master e, conforme a PF, receberia seis imóveis de luxo como contrapartida.
- Na conversa, Ibaneis é citado como quem pediu “material para a argumentação” sobre a operação, com planos de manter Vorcaro como CEO da holding/consolidadora ligada ao BRB.
- A PF identificou seis imóveis de luxo estimados em R$ 74 milhões envolvidos nas repasses, que teriam sido iniciados, mas freados após a percepção de investigação sigilosa em abril de 2025.
- Daniel Monteiro, identificado como operador de pagamentos do Master, também foi preso preventivamente; o ministro André Mendonça informou que houve ciência prévia de Vorcaro sobre o procedimento.
Em conversas interceptadas pela Polícia Federal, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, afirmou que o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, pediu ajuda para justificar a aquisição de ativos do Banco Master pela estatal. Costa foi preso preventivamente nesta quinta-feira (16.abr.2026).
Segundo a PF, Costa autorizou a compra de cerca de R$ 12 bilhões em créditos do Master pelo BRB e, em troca, indicaria infraestrutura de controle, com a expectativa de receber contrapartidas em imóveis de luxo. A investigação aponta que o ex-presidente do BRB estaria articulando um caminho para camuflar o negócio.
Em mensagens, Costa informou a Daniel Vorcaro que Ibaneis solicitou a preparação de material para a defesa pública do negócio, diante de críticas previstas. Também sugeriu manter Vorcaro na liderança da holding ou da empresa consolidadora com participação no conselho do BRB, como forma de maximizar sinergias.
Negociação de imóveis
Logo após discutir a estratégia, Costa pediu a Vorcaro que tratasse com Daniel Monteiro, advogado ligado ao Master, a compra de apartamentos de alto padrão em São Paulo. A intenção era apresentar os imóveis à família de Costa como referência.
Trechos da conversa mostram Costa mencionando visitas programadas à cidade, com a esposa dele acompanhando os apartamentos. Monteiro, por sua vez, sinalizou a necessidade de envio de contratos para avaliação.
A PF aponta que seis imóveis de luxo chegaram a ser identificados, totalizando cerca de R$ 74 milhões em repasses já iniciados. A investigação indica que Vorcaro pode ter adiado os pagamentos após tomar conhecimento de apuração sigilosa do Ministério Público Federal, em abril de 2025.
Operação de pagamentos
Daniel Monteiro foi preso preventivamente também nesta quinta-feira por ordem do STF. A PF descreve Monteiro como operador dos pagamentos, atuando a mando de Vorcaro. O objetivo era manter o fluxo financeiro sob controle.
O inquérito cita ainda que um integrante do núcleo de inteligência do Master, apelidado de Sicário, teria obtido e enviado peças sigilosas do processo a Vorcaro, reforçando a linha de atuação da organização.
O ministro André Mendonça mencionou a alta probabilidade de que Vorcaro tivesse ciência da instauração do procedimento antes de as cópias serem recebidas, conforme decisão.
Avanço e próximos passos
O Poder360 procurou as defesas de Costa e de Ibaneis Rocha, sem sucesso até o fechamento desta edição. A reportagem também solicitou manifestação do governador, que não havia se pronunciado. O caso continua sob apuração.
Entre na conversa da comunidade