- O MST realizou ações em 13 estados e no Distrito Federal em 15 dias, reunindo cerca de 16 mil militantes em 20 municípios.
- Invasões de terras consideradas improdutivas e ocupação de sedes de órgãos públicos, como o Incra, fazem parte do balanço; cerca de 145 mil famílias estariam acampadas à espera de assentamentos.
- A Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária segue até 17 de abril, data dos 30 anos do Massacre de Eldorado do Carajás, no Pará.
- No Pará houve o maior alcance, com cerca de 3 mil militantes; em Tocantins, Maranhão e Paraíba houve ocupações e pressões por avanços na reforma agrária, além de ações em outras regiões.
- O MST critica a gestão de Lula pela demora na reforma agrária; o governo diz que, em 2025, foram disponibilizados 13.944 novos lotes para assentamentos e, desde 2023, 17.297, com gasto de R$ 1,1 bilhão.
O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) realizou o chamado Abril Vermelho, com invasões de terras e prédios públicos, mobilizações e marchas em 13 estados e no Distrito Federal ao longo de 15 dias. O balanço divulgado pelo MST aponta cerca de 16 mil militantes em 20 municípios.
Entre as ações, há ocupações de áreas consideradas improdutivas pelos militantes e ocupação de sedes de órgãos como o Incra. O MST afirma que aproximadamente 145 mil famílias ainda aguardam assentamentos.
A Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária segue até 17 de abril, data que marca 30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido em 1996 no Pará, quando 21 trabalhadores rurais foram mortos em confronto com a polícia.
Foco principal e desdobramentos regionais
No Pará, houve atos simbólicos e marchas com cerca de 3 mil militantes, considerados o núcleo do movimento. No Tocantins, famílias ocuparam áreas tidas como terras públicas ou com irregularidades, segundo o MST. Maranhão e Paraíba registraram ocupações de prédios federais para pressionar melhorias na reforma agrária.
Na Bahia, mais de 2 mil pessoas participaram de uma marcha de aproximadamente 120 quilômetros até Salvador, onde representantes do MST se reuniram com o governo estadual para apresentar demandas. Em Pernambuco, Ceará e outros estados do Nordeste, militantes invadiram fazendas para exigir desapropriações e criação de assentamentos, com defesa de áreas para programas habitacionais em alguns casos.
No Sudeste e no Centro-Oeste, as mobilizações incluíram protestos em órgãos públicos, reuniões com autoridades e participações em marchas de trabalhadores. Em Brasília, lideranças apresentaram reivindicações ao governo federal e participaram de atos com pautas trabalhistas amplas.
Relações com o governo federal
O MST reforça a estratégia de pressão por meio de invasões e atos públicos, voltada ao governo do presidente Lula, aliado histórico do movimento. Desde o início do terceiro mandato, as relações têm ficado tensas pela lentidão percebida na reforma agrária.
No ano passado, o MST enviou uma carta ao presidente cobrando o assentamento de 122 mil famílias distribuídas em 1,2 mil acampamentos. O texto apontou morosidade que, segundo o movimento, acirraria conflitos sociais.
Em resposta à imprensa, o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) destacou o ritmo de avanços da reforma agrária, afirmando que o governo retornou o ritmo dos dois primeiros mandatos de Lula. O MDA informou que, em 2025, foram disponibilizados 13.944 novos lotes, com aportes totais de 1,1 bilhão de reais desde 2023 para aquisição de terras.
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