- O advogado Daniel Monteiro, sócio do escritório Monteiro Rusu, foi apontado pela PF como operador jurídico e financeiro da engrenagem criminosa do Master, responsável por estruturar o esquema paralelo de compliance e gestão de riscos.
- Segundo decisão do STF, Monteiro não era apenas assessor, mas o motor técnico da operação, incluindo a blindagem jurídica e a criação de uma estrutura societária para ocultar ativos.
- A investigação aponta que Monteiro dirigiu uma “fábrica” de carteiras fictícias de crédito vendidas ao BRB, com produção massificada de documentos artificiais para dar aparência de legitimidade a ativos sem lastro.
- Ele é acusado de orquestrar o pagamento de propina de R$ 146,5 milhões a Costa, por meio de uma rede de sociedades de fachada, com uso de documentos atestando irregularidades para ocultar os pagamentos.
- A defesa de Monteiro não se manifestou até a publicação; Monteiro foi preso na quarta fase da Operação Compliance Zero e é alvo de acusações de corrupção ativa, lavagem de dinheiro, organização criminosa e infrações ao sistema financeiro nacional.
Daniel Monteiro, advogado e sócio do escritório Monteiro Rusu, é apontado pela Polícia Federal como operador jurídico e financeiro da engrenagem criminosa ligada ao Banco Master. Ele foi preso na 4ª fase da Operação Compliance Zero, sob suspeita de estruturar o funcionamento paralelo de gestão de riscos e pagamentos de propina.
A PF sustenta que Monteiro liderava duas frentes centrais: a blindagem jurídica e o compliance paralelo ao oficial do Master, além da criação de uma complexa estrutura societária para ocultar ativos. Também integrava a montagem de uma linha de produção de carteiras de crédito falsas vendidas ao BRB, com uso de documentos artifiais e contratos simulados.
Segundo as investigações, Monteiro faturou R$ 86,1 milhões apenas com a dissimulação de pagamentos ao ex-presidente do BRB, Costa. O Ministério Público aponta ainda que ele articulou uma rede de empresas de fachada para ocultar a origem dos recursos, incluindo aquisição de imóveis de alto valor em SP e Brasília, sem revelar os beneficiários.
Estrutura e atuação no Master
A decisão da Justiça aponta que Monteiro criou e geriu uma malha de empresas de fachada, onde atuavam familiares do próprio advogado para registrar os atos. O cunhado, Hamilton Edward Suaki, chegou a ser director das firmas vinculadas ao esquema, com endereço registrado no escritório de Monteiro.
A operação também envolve o controle de pagamentos de propina no montante de R$ 146,5 milhões a Costa. Entre os elementos descritos está a emissão de procurações atípicas e extratos antedatados, além de ajustes manuais em documentos para dar aparência de legitimidade aos ativos.
Contexto e desdobramentos
Entre 10 de maio e o desenrolar do caso, houve ligação com o controlador do Master, Daniel Vorcaro, cuja milícia privada A Turma teria acesso a informações privilegiadas. Monteiro, conforme a investigação, orientou a preservação de escrituras sem registrá-las, para manter o ocultamento patrimonial.
A defesa de Monteiro não se manifestou até a publicação desta matéria. As acusações incluem corrupção ativa, lavagem de dinheiro, organização criminosa e infrações ao sistema financeiro nacional.
Outros desdobramentos
Em dezembro de 2024, Monteiro recebeu o Título de Cidadão Baiano, pelo Legislativo baiano, em reconhecimento a operações relevantes à Bahia, como a aquisição da Ebal para a criação do Credcesta. A placa honrosa foi requerida pelo deputado Rosemberg Pinto (PT). Augusto Lima, sócio de Vorcaro, já está sob monitoramento com tornozeleira eletrônica.
Entre na conversa da comunidade