- O deputado Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, pretende usar o documentário “A Colisão dos Destinos” para fazer campanha para Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência.
- A ideia é alugar carro de som para convidar a população durante o dia e exibir o filme à noite em praças públicas, segundo o parlamentar.
- Sóstenes afirma que a iniciativa não configura campanha antecipada e que é uma ferramenta de pré-campanha, já que o filme foi gravado em 2024.
- Advogado João Marcos Pedra, da Comissão de Direito Eleitoral da OAB-DF, aponta risco de violar regras da propaganda eleitoral antecipada dependendo da forma de divulgação e dos interesses envolvidos.
- O documentário, dirigido por Doriel Francisco, aborda a vida de Jair Bolsonaro até o episódio da facada em 2018 e foi produzido antes de acontecimentos recentes envolvendo o ex-presidente.
O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), pretende usar o documentário A Colisão dos Destinos, sobre Jair Bolsonaro, para promover a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A declaração foi feita durante a pré-estreia do filme, em Brasília, na noite desta quarta-feira, 15.
Segundo o parlamentar, a iniciativa deve ocorrer em cidades do Rio de Janeiro, com montagem de carro de som para convidar a população durante o dia e exibição do filme em praças públicas à noite. Ele afirma que a ação é uma ferramenta de pré-campanha, mas sem ilegalidade, já que envolve apenas o convite para ver o filme.
A) Contexto temporal e legal
O filme, gravado em 2024, é visto por Sóstenes como ferramenta de pré-campanha por ocorrer fora do período oficial, já que, na época de gravação, Bolsonaro não havia sido condenado ou declarado inelegível pelo TSE. Alega que a data de produção permite uso em cenários de pré-campanha.
B) Análise jurídica
João Marcos Pedra, secretário-geral da Comissão de Direito Eleitoral da OAB-DF, aponta que há um conflito entre liberdade de expressão e a proibição de propaganda antecipada. Se o filme for apenas exibição sem ato de comício, não haveria irregularidade; contudo, promover Flávio Bolsonaro às custas do documentário pode configurar ilegalidade.
C) Riscos e implicações
Pedra ressalta que a forma de divulgação pode importar. Qualquer evento em ano eleitoral envolve riscos para candidatos que ocupam cargos públicos ou buscam benefício com a divulgação do filme. A lei eleitoral impõe limites durante a pré-campanha, incluindo vedação de pedidos de voto.
D) Sobre o filme
A produção é dirigida por Doriel Francisco e aborda a infância, carreira militar e trajetória política de Bolsonaro, incluindo o episódio da facada em Juiz de Fora (MG) durante a campanha de 2018. O documentário não se limita a um retrato biográfico, mas contextualiza fases da vida pública do ex-presidente.
E) Reações e próximos passos
Ainda não foram anunciadas medidas oficiais sobre a exibição do filme em praças públicas ou possíveis ações jurídicas. A Câmara e o PL não publicaram posicionamento formal além da declaração de Sóstenes. As informações são apuradas junto a fontes locais e a especialistas em direito eleitoral.
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