- Em abril de 1996, cerca de 3 mil sem-terra marchavam no sul do Pará em direção a Belém para exigir assentamento; a Polícia Militar cercou a marcha de ambos os lados.
- O massacre deixou dezenove trabalhadores mortos na hora e mais dois falecidos após hospitalização; mais de setenta ficaram com sequelas.
- Na justiça, apenas dois comandantes foram condenados a 240 anos; investigações sobre a participação da mineradora Vale não avançaram e o secretário de Segurança foi inocentado.
- Em 1997 houve uma marcha nacional de aproximadamente 1.5 mil quilômetros até Brasília, com atuação de mais de 100 mil pessoas em ato em frente ao Congresso; houve aceleração de desapropriações no governo Fernando Henrique Cardoso.
- Hoje, o movimento defende a reforma agrária popular, fim do latifúndio improdutivo, agroecologia, reflorestamento e agroindústrias para produzir alimentos saudáveis.
Na época, em abril de 1996, cerca de 3 mil trabalhadores sem-terra marchavam no sul do Pará em direção a Belém, exigindo a desapropriação de uma fazenda gravemente grampeada pelo uso de terras públicas e trabalho escravo.
No trajeto, dois pelotões da Polícia Militar do Pará cercaram a marcha pelos dois lados. Os agentes não tinham identificação e portavam armas letais, num cerco que durou várias horas.
O massacre ocorreu quando a estrada não estava bloqueada. Dezenove trabalhadores foram assassinados na hora e mais dois morreram após hospitalização, deixando dezenas de feridos e sequelas graves para a agricultura local.
Condenações e desdobramentos
A Justiça condenou apenas dois comandantes, com pena de 240 anos, que cumpriram pouco tempo e viveram em apartamentos militares em Belém. A investigação sobre a participação da mineradora Vale não avançou.
Na época, o governo de Fernando Henrique Cardoso promovia reformas liberais e realizou desapropriações em massa, incluindo a fazenda que hoje abriga o assentamento 17 de Abril, resultado de pressão pública.
O massacre teve repercussão mundial, com exposições fotográficas de Sebastião Salgado, textos de José Saramago e o livro Terra, além de um movimento de protesto que percorreu 1.500 km até Brasília em 1997, com mais de 100 mil pessoas.
Hoje, 30 anos depois, a luta continua. A concentração de terras persiste e o modelo do agronegócio ganha espaço na fronteira agrícola, ampliando conflitos com povos tradicionais.
A militância defende a chamada reforma agrária popular, com foco em agroecologia, desmatamento zero e agroindústrias, para ampliar produção de alimentos saudáveis e retomar desapropriações.
O massacre de Eldorado dos Carajás ficou registrado como marco da história brasileira e da luta por reforma agrária. A memória reforça a busca por democratização da terra e justiça social no Brasil.
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