- A Polícia Federal aponta Daniel Lopes Monteiro, advogado e homem de confiança de Daniel Vorcaro, como peça central para entender o esquema ligado ao ex-dono do Master.
- A quarta fase da Operação Compliance Zero investiga estruturas usadas para pagar propina a Paulo Henrique Costa e o uso de fundos da Reag para imóveis.
- A PF aponta seis empresas de fachada, todas com endereço no escritório de Monteiro, recebendo valores e fazendo pagamentos vinculados aos imóveis prometidos.
- O valor movimentado pelo esquema, conforme a decisão, é de pelo menos R$ 86.167.189,30, e as autoridades buscam mapear transações e o patrimônio envolvido.
- Defesas afirmam que a prisão é desnecessária; a Procuradoria-Geral da República classifica Monteiro como agente-chave e alerta para riscos de ocultação e evasão de recursos caso fique em liberdade.
A Polícia Federal aponta Daniel Lopes Monteiro, advogado de confiança do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, como peça central para mapear o funcionamento de estruturas ligadas ao esquema investigado na quarta fase da Operação Compliance Zero. Os materiais reunidos dele são vistos como chave para entender o uso de fundos da Reag e esclarecer possíveis vias de desvio.
Segundo as investigações, Monteiro atuaria como elo para encaminhar pagamentos de propina e orientar a montagem de empresas de fachada associadas ao ex-dono do Banco Master. A PF entende que ele teria domínio prático sobre mecanismos de ocultação de recursos e de relacionamento com estruturas utilizadas pelo grupo.
O STF autorizou a prisão de Monteiro durante a quarta fase da operação. A decisão de ministro André Mendonça levou em conta conversas entre o advogado e Vorcaro sobre quem seria o diretor das empresas que recebiam propina destinada a Paulo Henrique Costa. O cunhado de Monteiro teria sido indicado pelo próprio advogado para assumir esse papel.
A PF informa que seis empresas, descritas como de prateleira, teriam recebido recursos de fundos da Reag para quitar imóveis prometidos a Costa. O endereço das companhias era o mesmo do escritório de Monteiro, alvo de busca. A Polícia sustenta que o esquema envolve estruturas de pagamento que vão além da lavagem de dinheiro.
A defesa de Costa contesta a necessidade da prisão, dizendo que não houve crime e que houve exagero. A defesa de Monteiro afirmou que a atuação do advogado foi estritamente técnica, ligada ao exercício profissional. Não houve manifestação pública dos advogados de Vorcaro sobre o caso.
De acordo com a PF, há indícios de que a atuação investigada abrange outras atividades criminosas além da propina a Costa. Os investigadores apontam que o grupo pode ter movimentado recursos por meio de fundos da Reag, com transações ainda não totalmente elucidadas.
A Procuradoria-Geral da República classificou Monteiro como agente-chave da vertente jurídica da organização de Vorcaro. Alega que a rede de influência poderia encobrir ilícitos, coagir testemunhas, ocultar dados e destruir provas, caso haja liberação de seus investigados.
Ao justificar a prisão, o ministro Mendonça destacou fortes indícios de bens de alto valor obtidos com recursos ilícitos e o risco de desaparecimento de ativos. Também foi ressaltado o risco de articulação com agentes públicos e de continuidade da ocultação com o uso de empresas de fachada.
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