- O presidente do STF, ministro Edson Fachin, reconheceu nesta sexta-feira uma crise no Poder Judiciário durante palestra na Fundação Getulio Vargas, em São Paulo.
- Ele disse que quando o juiz atua como agente político disfarçado de intérprete jurídico, a confiança pública é abalada.
- Fachin afirmou que a crise precisa ser enfrentada sem soluções velhas para problemas novos.
- Dados do Datafolha divulgados em março mostraram que 43% dos entrevistados não confiam no STF, o maior índice desde o início da série, em dois mil e doze.
- O tema é agravado pelo escândalo do Banco Master: Toffoli declarou-se suspeito em março e Fachin arquivou, em fevereiro, ação sobre a suspeição; o ministro já havia proposto um código de ética no começo de seu mandato.
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, reconheceu nesta sexta-feira que o Brasil vive uma crise no Poder Judiciário. A afirmação ocorreu durante palestra em evento promovido pela Fundação Getulio Vargas de São Paulo.
Fachin afirmou que é preciso enfrentar a crise com cautela para não recorrer a saídas antigas diante de problemas novos. Ele destacou a necessidade de ouvir com atenção e não repetir soluções que não resolvem as questões atuais.
Segundo dados do Datafolha divulgados em março, 43% dos entrevistados disseram não confiar no STF, o maior índice já registrado na série histórica iniciada em 2012. O tema ganhou repercussão no debate público.
O cenário é permeado por críticas ao Judiciário decorrentes de casos recentes. O escândalo envolvendo o Banco Master trouxe à tona vínculos entre magistrados, parentes e agentes investigados pela Operação Compliance Zero.
No começo de seu mandato como presidente, Fachin sugeriu a criação de um código de ética para os ministros da Corte. Em fevereiro, porém, ele recebeu uma ação que pedia a suspeição do ministro Dias Toffoli no caso Master, que se declarou suspeito em março.
Dias Toffoli admitiu ter recebido recursos de um fundo ligado ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A ação sobre a suspeição foi arquivada por Fachin, segundo informou a Justiça na ocasião.
Entre na conversa da comunidade