- Trump perdoou centenas de criminosos de rotina financeiros, o que resultou no perdão de milhes de dólares em multas e penalidades que, sem o perdão, iriam para o Crime Victims Fund (Fundo de Vítimas de Crimes, VOCA).
- Estudo da The Trace aponta que pelo menos 113 milhões de dólares em multas e penalidades foram perdoados e não entram no fundo; restituições não estão incluídas nessa conta.
- O caso mais relevante ocorreu com HDR Global Trading Limited, dono da BitMEX, que recebeu perdão horas antes de uma multa de 100 milhões de dólares ser paga, eliminando esse valor do VOCA.
- O VOCA depende de multas criminais de casos federais, principalmente envolvendo crimes corporativos, para financiar serviços a vítimas, como abrigos, centros de crise e tratamento de abuso.
- Autoridades e estudiosos alertam que a redução de multas efetivamente depositadas pode comprometer o financiamento de programas de apoio a vítimas, especialmente em estados com maior necessidade de verba.
Donald Trump concedeu dezenas de perdões a criminosos de colarinho branco em seu segundo mandato, o que também anulou multas, penalidades e restituições. Estudo aponta impacto direto no Crime Victims Fund, fundo criado para respaldar vítimas de crimes violentos nos EUA.
O fundo é alimentado por multas federais de condenações em casos, geralmente envolvendo crimes financeiros. O dinheiro é destinado a programas estaduais e locais, como abrigos, centros de crise e tratamento de abuso infantil. Vítimas de violência dependem dele para despesas médicas, funerárias e perdas salariais.
Segundo a análise da The Trace, ao menos 113 milhões de dólares em multas e penalidades perdoadas poderiam ter engordado o fundo. O valor não inclui restituição, que vai diretamente para as vítimas.
O caso mais impactante envolve a HDR Global Trading Limited, proprietária da BitMEX. Trump concedeu perdão a empresa horas antes do vencimento de pagamento de 100 milhões de dólares em multas pela violação de leis de combate à lavagem de dinheiro. O perdão abrange “restituição e demais penalidades”, o que evita o repasse ao fundo.
Especialistas lembram que a maior parte do montante do VOCA vem de poucos casos, muitos deles corporativos. Um acordo com a Volkswagen, em 2017, gerou 2,8 bilhões de dólares em multa criminal e aumentou consideravelmente os recursos do fundo. Dois terços do dinheiro já depositado resultaram de apenas cerca de 90 casos.
A remissão de multas não é prática comum em perdões presidenciais. Em parte, as concedidas neste mandato já incluem esse mecanismo, o que difere do histórico do próprio Trump no 1º mandato, quando nenhum perdão contemplava a remissão de multas.
Essa mudança pode reduzir signficativamente a receita de estados e territórios, uma vez que a distribuição segue a população. Governos locais já estudam alternativas para compensar déficits, como o caso de Maine, que propôs verba anual para vítimas no valor de 6 milhões de dólares.
De modo geral, o Fundo VOCA teve queda de verba entre 2021 e 2024, passando de 3,7 bilhões para cerca de 2,2 bilhões de dólares. A retração resulta em menos atendimentos, com milhões de vítimas alcançadas a menos nos últimos anos.
Organizações de defesa de vítimas externas afirmam que a menor disponibilidade de recursos compromete o atendimento, dificultando ações de assistência, abrigo, apoio jurídico e médico. A assistência é apontada como crucial para estabilidade e recuperação das vítimas.
Cenário político e jurídico acompanha o debate sobre como sustentar o VOCA. Propostas no Congresso buscam permitir uso de recursos de condenações não pagas para manter o fundo estável, sob vigilância de comissões e supervisão de autoridades.
Representantes partidários divergentes discutem se o dinheiro recolhido por meio de acordos não julgados ou não processados deve alimentar o VOCA. Houve solicitações para que o Departamento de Justiça intensifique a cobrança de dívidas criminais pendentes.
O fundo mantém equilíbrio com um teto anual, definido pelo Congresso, para evitar desperdícios em tempos de menor atividade penal. Em 2009, o saldo era de 3,1 bilhões; em 2017, atingiu pico de 13 bilhões; e, em 2021, voltou a subir para 3,7 bilhões.
O panorama atual demonstra que quedas no volume de processos criminais afetam direta e indiretamente as fontes de financiamento do VOCA. Provedores de serviço relatam dificuldade em manter equipes e capacidade de atendimento.
Fontes oficiais apontam que, mesmo com o saldo recente superior a 3,6 bilhões, o impacto de perdões de multas pode reduzir o montante disponível para programas de apoio a vítimas no curto prazo. O debate sobre arrecadação, uso e fiscalizações permanece em pauta.
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