- Justiça Federal manteve as 33 prisões determinadas pela PF na Operação Narco Fluxo, realizada em nove estados e no Distrito Federal; audiências foram concluídas.
- Entre os presos estão MC Ryan SP, MC Poze do Rodo, Chrys Dias, Débora Paixão e Raphael Sousa Oliveira (dono da página Choquei); Débora teve a detenção convertida para prisão domiciliar com tornozeleira.
- A operação contou com mais de duzentos policiais, 45 mandados de busca e apreensão e 39 mandados de prisão temporária.
- Foram apreendidos cerca de R$ 20 milhões, dezenas de veículos de luxo, joias e relógios; houve bloqueio de saldo em corretoras de criptomoedas e levantamento de fluxo financeiro de R$ 1,6 bilhão, com estimativa de movimentação de até R$ 260 bilhões.
- A PF aponta ligação entre a organização e o PCC, com Frank Magrini identificado como elo principal e financiador inicial de MC Ryan SP.
A Justiça Federal manteve todas as 33 prisões decretadas pela Polícia Federal durante a Operação Narco Fluxo, deflagrada na quarta-feira (15). A ação visou desarticular uma quadrilha que lavava dinheiro com a indústria da música e do entretenimento digital, usando artistas e influenciadores. Ao todo, 9 estados e o Distrito Federal foram atingidos.
Mais de 200 policiais cumpriram 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária. Entre os detidos estão MC Ryan SP, MC Poze do Rodo, Chrys Dias, Débora Paixão e Raphael Sousa Oliveira, conhecido como criador da página Choquei. Débora teve a prisão convertida em domiciliar com tornozeleira.
A investigação partiu de um backup na nuvem de Rodrigo Morgado, apontado como contador do esquema, ligado à Operação Narco Bet. O grupo utilizava um mecanismo chamado escudo de conformidade para legitimar transações milionárias por meio de artistas e influenciadores.
A lavagem de dinheiro em três frentes
A PF identificou pulverização, dissimulação e interposição de terceiros como pilares do esquema. O fluxo financeiro estimado chegou a R$ 1,6 bilhão em menos de dois anos, com sequestro e bloqueio de ativos ordenados pela Justiça. A PF aponta movimentação de até R$ 260 bilhões pela organização.
A operação resultou na apreensão de cerca de 55 veículos de luxo, incluindo Porsche, BMW e uma réplica de Fórmula 1 da McLaren, além de armas, R$ 300 mil, US$ 7,3 mil, 56 joias e o bloqueio de saldos em corretoras de criptomoedas.
Envolvidos e papéis
MC Ryan SP é apontado como líder e principal beneficiário econômico, ligando sua produção de shows a recursos ilícitos via laranjas. Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, atuava como operador de mídia, comprando divulgações de plataformas de apostas e conteúdos de interesse dos artistas. MC Poze do Rodo atuaria na circulação de recursos de apostas e rifas.
Chrys Dias e Débora Paixão aparecem como financiadores, com outros envolvidos incluindo Mateus Magrini, irmão de MC Ryan, que captava fluxos para plataformas de jogos. A investigação também aponta ligações com laranjas, familiares e empresas de fachada.
Relação com o PCC
As apurações indicam vínculo com o PCC, com Frank Magrini identificado como operador financeiro. Ele teria financiado o início da carreira de MC Ryan SP e recebido repasses para a facção por meio de estabelecimentos do grupo investigado.
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