- Lula reforçou que o Brasil não vai abandonar a estratégia de explorar minerais críticos e terras raras, ao assinar memorando de entendimento com a Espanha sobre o tema.
- O presidente afirmou que o processamento e a transformação devem ocorrer no Brasil, sob supervisão do Conselho Nacional de Política Mineral, por questões de segurança nacional.
- O recado é claro para investidores e parceiros: o acesso às reservas brasileiras passa a depender de aceitar que a cadeia de valor permaneça no país.
- O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de minerais críticos e também tem interesse em metais como nióbio, lítio e grafite, entre outros. A exploração de terras raras ainda é incipiente devido à necessidade de tecnologia e know-how.
- Lula também citou a regulação de plataformas digitais e criticou grandes tecnológicas, associando o tema à escolha de políticas nacionais de dados e recursos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil não vai desperdiçar a atual oportunidade ligada aos minerais críticos e às terras raras. Em declaração conjunta com o premiê espanhol Pedro Sánchez, após a 1ª Cúpula Brasil-Espanha, Lula destacou o compromisso de manter o ciclo de exploração sob controle nacional.
A fala ganhou materialização com a assinatura de um memorando de entendimento entre Brasil e Espanha sobre minerais críticos. Segundo Lula, qualquer transformação da cadeia produtiva deve ocorrer dentro do Brasil, reforçando o papel do Conselho Nacional de Política Mineral na governança do tema.
O recado é claro para parceiros estrangeiros e empresas: o acesso às reservas brasileiras dependerá da aceitação de que a cadeia de valor permaneça no país. A mensagem é interpretada como um sinal de maior controle estatal sobre recursos estratégicos.
O Brasil abriga a segunda maior reserva mundial de minerais críticos, incluindo terras raras usadas em ímãs, baterias e tecnologia espacial. A exploração dessas ligas estratégicas ainda é incipiente no país, devido à tecnologia avançada requerida e aos custos envolvidos.
Além das terras raras, surgem no espectro brasileiro ativos como nióbio, lítio, grafite, cobre, cobalto e urânio. Estados Unidos, que buscam ampliar o acesso a esses recursos, enfrentam restrições impostas pelo governo brasileiro para acordos com exclusividade.
Para o mercado de mineração, o recado de Lula acena para um ambiente regulatório mais estável com maior participação de processamento interno. Contudo, o custo regulatório e o risco de investimentos podem aumentar, segundo analistas, diante da prioridade de produção local.
A fala do presidente sobre o controle das terras raras também é vista como sinal de maior rigor regulatório. Investidores estrangeiros podem ficar mais cautelosos em projetos de longo prazo que dependem de concessões minerais, diante da perspectiva de maior intervenção estatal.
Big techs voltaram ao centro do discurso de Lula, que afirmou que grandes empresas de tecnologia podem moldar a era digital de forma colonial. O presidente defendeu maior regulação da internet, citando o ECA Digital como passo inicial para responsabilização de plataformas.
A agenda regulatória inclui propostas de lei e ações judiciais em tramitação, com o STF e a AGU tendo impactos sobre responsabilização de plataformas. A posição do governo em diálogo com Sánchez sinaliza resistência a modelos de dominação de dados vinculados a mercados estrangeiros.
Enquanto o tema de minerais críticos domina a pauta, o mercado ficou atento a outros sinais. A atenção recente também recai sobre movimentos internacionais, como a possível reabertura do Estreito de Ormuz e possíveis acordos entre EUA e Irã, que influenciam o cenário macro.
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