- Lula aparece numericamente atrás em simulações de segundo turno em algumas pesquisas, evidenciando novo desafio do PT para as eleições de 2026.
- Em alguns cenários, Flávio Bolsonaro (PL) fica à frente de Lula no segundo turno, dentro da margem de erro, o que o professor atribui ao efeito do sobrenome e ao baixo perfil público.
- O professor Jairo Nicolau, da FGV, analisa mudanças no perfil do eleitorado brasileiro entre 2002 e 2022, incluindo envelhecimento, maior escolaridade e feminização.
- O segmento de eleitores com ensino médio passou a apoiar a direita em 2018 e 2022, com Bolsonaro vencendo nesse grupo, diferente do que ocorreu até 2014.
- O conjunto da sociedade brasileira vem se tornando mais escolarizado e crescente na faixa etária mais madura, o que altera o cenário político e o desempenho dos partidos.
O presidente Lula aparece atrás de alguns adversários em simulações de segundo turno, segundo o analista Jairo Nicolau, da FGV, no Mercado Aberto, programa da UOL. Pela primeira vez, o cenário sugere que o PT enfrentaria dificuldades no pleito de 2026. As leituras consideram variações metodológicas e margens de erro.
Nicolau destacou a necessidade de entender como mudanças demográficas e de consumo político afetam o apoio ao PT. O professor aponta que o Brasil passou por transformações significativas, com eleitorado mais escolarizado e com padrões de consumo de informação diferentes.
Além disso, o pesquisador analisou a performance de Flávio Bolsonaro em algumas simulações, em que aparece à frente de Lula no segundo turno, dentro da margem de erro. A leitura é de que o sobrenome Bolsonaro, aliado a um ritmo de exposição menor do candidato, influencia o favoritismo em cenários de tensão.
Mudanças no perfil do eleitorado
Nicolau cita uma “revolução educacional” que, nas últimas décadas, elevou o nível de escolaridade da população. Hoje, mais da metade dos eleitores tem ensino médio ou superior, e as mulheres passam a compor a maioria, especialmente entre os segmentos mais escolarizados. O envelhecimento do país também é destacado pelo pesquisador.
O estudo aponta ainda que o voto entre eleitores com ensino médio mudou de curso. Enquanto esse grupo apoiava o PT em 2014, as eleições de 2018 e 2022 sinalizaram apoio maior à direita. Segundo o professor, o fenômeno ajuda a explicar a mudança de cenário observada nas sondagens recentes.
Desempenho e estratégia de candidatura
O analista ressalta que Flávio Bolsonaro tem adotado uma estratégia de menor exposição pública, o que pode impactar o conhecimento sobre plataforma de governo. A avaliação é de que, sem entrevistas constantes ou programas, o candidato pode depender fortemente da associação ao nome da família.
O Mercado Aberto vai ao ar de segunda a sexta, às 8h, com apresentação de Amanda Klein, trazendo os principais movimentos do mercado financeiro. As informações de Nicolau ajudam a situar o desafio político do PT para o ciclo eleitoral de 2026.
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