- A ideia de cobrar turistas a entrada de museus nacionais na Inglaterra só faria sentido com um sistema universal de verificação de identidade digital, afirmou a deputada do Partido Trabalhista, Margaret Hodge, em audiência no Parlamento.
- Hodge destacou que o seu relatório sobre o Arts Council England (ACE) apresenta caminhos para novos modelos de financiamento e reformas sistêmicas, com foco em ampliar a participação e a sustentabilidade do setor.
- A proposta de cobrança tem recebido críticas de figuras do setor cultural, incluindo a ex-diretora do Tate, Maria Balshaw, que disse não gostar da ideia.
- O governo britânico afirmou apoiar a ideia de manter o Arts Council England como órgão independente (princípio da “posição autônoma”) e defender reformas para o modelo National Portfolio Organisations, além de incentivar a filantropia e explorar regimes de incentivos fiscais.
- Hodge sugeriu que a reforma do modelo de organizações de portfólio nacionais deve ocorrer rapidamente e discutiu a necessidade de ampliar a filantropia, com referências a sistemas fiscais de outros países, como a França, para ampliar o investimento em cultura.
A ideia de cobrar entrada de turistas em museus ingleses voltou à pauta política. A proposta é defendida pela parlamentar do Labour e membro da Câmara alta, Margaret Hodge, que detalhou o tema em sessão no Parlamento do Reino Unido. A condição central é a implementação de um sistema de identificação digital universal antes de qualquer cobrança.
Hodge divulgou em uma audiência que o relatório de avaliação do Arts Council England, publicado no ano passado, aponta caminhos para novos modelos de financiamento e reformas de sistemas. A ideia de taxas de admissão para visitantes estrangeiros teria “benefícios significativos” para o setor, mas exigiria verificação digital na entrada dos museus.
Conforme apuração da Museums Association, a deputada reiterou que não apoiaria cobranças sem um sistema de identidades digitais universal. Em sua fala, citou preocupações de discriminação e impactos sobre a coesão comunitária, destacando que a implementação exige uma base de identificação clara para evitar erros na identificação de visitantes.
Hodge avaliou que a cobrança poderia arrecadar menos de 10 milhões de libras, argumento utilizado para questionar a relação custo-benefício da medida enquanto não houver identificação inequívoca. Ela comparou o gasto público em artes com outros países, destacando que Berlim, por exemplo, investe centenas de milhões de euros, enquanto o financiamento do Arts Council England é relativamente menor.
A crítica à proposta também ganhou a adesão de figuras do setor. Maria Balshaw, ex-diretora da Tate, manifestou reservas sobre o impacto de cobrar visitantes internacionais, sugerindo que a cobrança poderia sinalizar exclusão de públicos internacionais.
#### Governo sustenta princípios de atuação independente
Em resposta de longo prazo publicada recentemente, o governo manteve o alinhamento com a ideia de um órgão nacional de artes e defendeu a manutenção do princípio de autonomia da Arts Council England para decisões de financiamento. O governo indicou apoio às reformas do modelo de National Portfolio Organisations (NPOs) e à inclusão de medidas que incentivem a filantropia.
Hodge ressaltou a necessidade de reformar o papel das organizações de portfólio nacionais, considerando um novo ciclo de financiamento. Ela também sugeriu ampliar a filantropia fora de Londres e propor um regime de vantagens fiscais diferenciadas para estimular doações privadas ao setor cultural.
A parlamentar também comentou sobre experiências internacionais, citando o sistema francês como referência de incentivos fiscais a favor de empresas e indivíduos que investem na cultura. Historicamente, a França oferece até 60% de benefício fiscal para empresas e 66% para doações individuais.
Além disso, Hodge abordou o tema da chamada “cancel culture”. Afirmou que o papel da Arts Council deve ser ampliar o desenvolvimento cultural e lidar com problemas complexos, sem criar barreiras para patrocínios corporativos, destacando a importância de protocolos que incentivem o investimento estável no setor.
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