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PGR contesta delação de Camisotti à PF e pede suspensão de acordo ao STF

PGR resiste à delação de Camisotti e pede suspensão do acordo no STF, argumentando que o MPF deveria ter iniciado e acompanhado as negociações

O empresário Maurício Camisotti durante evento em São Paulo
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  • A Procuradoria-Geral da República resiste em aprovar o acordo de delação de Maurício Camisotti e pediu ao STF a suspensão do acordo, alegando que a colaboração deveria ter sido iniciada e acompanhada pelo Ministério Público Federal.
  • A PGR sustenta que a PF deveria recomeçar as negociações do zero, com a participação do MPF desde o início, já que é o órgão que pode apresentar denúncias e avaliar perdão judicial.
  • O vice-procurador-geral Hindemburgo Chateaubriand chegou a encaminhar, em 13 de março, petição ao ministro André Mendonça pedindo a suspensão do acordo; Mendonça ainda não decidiu.
  • A insatisfação da PGR envolve a forma de atuação da delação e impacta a defesa de Camisotti, que busca transferência para prisão domiciliar, citando risco de segurança pela natureza das informações.
  • Camisotti é apontado como um dos operadores do esquema de descontos do INSS; o caso envolve a Ambec e transferências de quase R$ 400 milhões ao longo de 2023 a 2025, além de saque Me de R$ 7,2 milhões em dinheiro vivo.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) mantém resistência à homologação do acordo de delação firmado entre o empresário Maurício Camisotti e a Polícia Federal (PF). O motivo é o argumento de que a colaboração deveria ter sido iniciada e acompanhada pelo Ministério Público Federal (MPF).

Segundo a visão da PGR, cabe ao MPF apresentar denúncias e avaliar se pede perdão judicial ao colaborador. Assim, a PF deveria recomeçar as negociações do zero, com a participação do MPF desde o início.

O vice-procurador-Geral Hindemburgo Chateaubriand chegou a pedir ao ministro do STF André Mendonça a suspensão do acordo. Mendonça é o relator e avalia se aceita a delação, sem ter decidido ainda o pedido da PGR.

Chateaubriand criticou o processo de obtenção da colaboração, citando a lei que exige a participação do MP, do delegado e do investigado com a defesa. A avaliação da procuradoria depende de nova manifestação da instituição.

A defesa de Camisotti busca transferi-lo da Superintendência da PF em São Paulo para prisão domiciliar, citando riscos de segurança decorrentes das informações prestadas sobre os delatados. A solicitação ficou em análise.

Camisotti é figura central em investigações sobre descontos em aposentadorias do INSS. A PF aponta o empresário como um dos principais operadores do esquema. Ele negociou o acordo desde o fim do ano passado.

A Operação Sem Desconto envolveu também o preso Careca do INSS, Antonio Carlos Camilo Antunes, alvo das apurações. A defesa do empresário negou irregularidades envolvendo o INSS à época da prisão, em setembro de 2025.

Para que a delação seja aceita, é necessário que Camisotti confesse crimes, apresente provas da narrativa e indique outras figuras relevantes, com documentos e áudios ou mensagens que corroborem as informações.

O escândalo envolve descontos indevidos em benefícios do INSS, investigado pela PF e pela CGU desde 2024. Investigações indicam uso de entidades e empresas como fachada para lavagem de dinheiro, com Camisotti como beneficiário.

Entre as informações já divulgadas, a Ambec, Associação de Aposentados Mutualista para Benefícios Coletivos, recebeu quase 400 milhões de reais do INSS entre 2023 e 2025. Camisotti mantém ligações com empresas ligadas ao caso.

Dados do Coaf, solicitados pela CPI do Congresso, apontam saques relevantes da conta de Camisotti, totalizando 7,2 milhões de reais em dinheiro vivo entre 2018 e 2025, além de saques isolados de outros montantes.

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