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Rota dos Milagres, em Alagoas, registra 14 desaparecimentos em 2 anos

14 desaparecimentos na Rota dos Milagres são alvo de investigação; SSP aponta ligação com facções, enquanto famílias pedem apoio e respostas

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  • Entre 2024 e 2026, ao menos quatorze pessoas somem na Rota Ecológica dos Milagres, em Alagoas, área ligada a facções; a maioria é jovem, com apenas uma mulher entre as desaparecidas, em 2025–2026.
  • O governo estadual diz que as investigações buscam localizar as vítimas e responsabilizar os envolvidos, e aponta ligação direta ou indireta com o tráfico de drogas e o crime organizado.
  • Segundo a SSP, houve sete corpos encontrados na região, com três identificados entre as vítimas sumidas; outros dois aguardam DNA e dois não foram reclamados.
  • A região é alvo de atuação de facções ligadas ao Comando Vermelho e ao PCC, com dívidas, rivalidade e possíveis delações como motivações para os desaparecimentos.
  • Familiares dizem que seus filhos não tinham relação com o crime organizado e pedem apoio público; mães relatam medo e falta de acolhimento das autoridades.

Ao menos 14 pessoas continuam desaparecidas entre 2024 e 2026 na Rota Ecológica dos Milagres, litoral de Alagoas, que reúne São Miguel dos Milagres, Porto de Pedras e Passo do Camaragibe. A região fica próxima a Maragogi. As autoridades mantêm investigações para localizar as vítimas e identificar responsáveis.

Segundo a polícia, os casos estão ligados à atuação de facções criminosas que atuam na área, com a prática de desaparecimentos como forma de domínio territorial. Especialistas apontam que eliminar rivais pode evitar mobilização policial imediata.

O governo de Alagoas reconhece 19 desaparecimentos no período 2022-2026, sem detalhar a distribuição anual. Também foram encontrados sete corpos na região, com três vítimas anteriormente dadas como desaparecidas.

A SSP indica que as vítimas teriam relação direta ou indireta com o tráfico de drogas e com o crime organizado. Familiares contatados pela Folha contestam a vinculação, afirmando que alguns filhos eram usuários, não criminosos.

Entre as mães, o temor é grande diante de ameaças recebidas ao falar publicamente sobre os desaparecimentos. Elas relatam pouca ou nenhuma assistência pública e dividem seu sofrimento sem apoio jurídico ou psicológico.

Os 14 desaparecidos são, em sua maioria, homens. A única mulher é Maria Vitoria Chaves da Silva, que sumiu em 8 de dezembro de 2025. O caso mais recente ocorreu em 22 de janeiro de 2026, com Bruno Viana de Souza.

A região abriga quatro grupos criminosos ligados a duas facções. O Comando Vermelho e o PCC estariam ativos, com ligações a milícias locais e a facções de fora do estado. Dívidas, rivalidade e trações internas são citadas como motivações.

Especialistas, como o sociólogo Luiz Fábio Paiva, destacam que os desaparecimentos visam o domínio territorial e demandam resposta robusta de investigação, inteligência e apoio às famílias.

Corpos encontrados apresentaram sinais de violência e estavam em áreas de mata ou estradas de difícil acesso. As buscas são dificultadas pelo terreno, com alguns corpos enterrados ou localizados ao ar livre.

O caso mais recente envolveu Nicolas Jhonathan Santos Cunha, 17, sumido em 27 de março e encontrado em 4 de abril em uma fazenda rural de São Miguel dos Milagres. Outro corpo permanece sem identificação, também localizado na mesma região.

Subtítulo

Investigação, atuação policial e apoio às famílias

A Secretaria de Segurança informa a implementação de uma equipe de inteligência na região e de medidas ainda não divulgadas para reforçar o enfrentamento ao crime organizado ligado ao CV e ao PCC. A SSP afirma que investiga cadastros, inquéritos e operações na área.

Ronilson Medeiros, coordenador do setor de desaparecidos, diz que é preciso rede de apoio às famílias, com assistência jurídica e psicológica. O Ministério Público confirmou cobrança de boletins e de informações sobre os inquéritos para garantia de apuração.

A SSP também aponta que o contexto envolve dívidas, traição a códigos internos e rivalidade entre facções; a polícia sustenta que a violência é resultado de disputas territoriais.

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