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Economist vê crise no Rio como selva urbana de crime e corrupção

Economist aponta o Rio como “selva urbana” de crime e corrupção, com custo anual de US$ 2 bilhões (1% do PIB) e controle por milícias e traficantes

(Reprodução/The Economist)
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  • The Economist aponta que o Rio de Janeiro vive turismo crescente, com 2,1 milhões de visitantes internacionais em 2025, alta de 45% em relação a 2024, mas com corrupção e controle territorial por grupos criminosos.
  • A estabilidade política é crítica: o ex-governador Cláudio Castro foi impedido de exercer cargos públicos por oito anos em 2026 por uso ilegal de dinheiro público; o presidente da Assembleia, Rodrigo Bacellar, está preso por suspeitas de ligação com o tráfico.
  • A reportagem destaca custos da crise: o Rio perde cerca de US$ 2 bilhões por ano, o equivalente a 1% do produto interno bruto local.
  • O controle do território envolve milícias e o Comando Vermelho, com cerca de 1,7 milhão de pessoas sob domínio de milícias e número similar sob influência do CV.
  • O complexo da Maré é citado para ilustrar a densidade do problema; há menções a ligações entre milícias e políticos, incluindo famílias ligadas a Adriano da Nóbrega e a proximidade de Flávio Bolsonaro com o tema.

O The Economist publicou neste sábado, 18 de abril de 2026, uma análise sobre o Rio de Janeiro que destaca a coexistência entre turismo vibrante e uma falência institucional. A reportagem descreve a cidade como uma área de forte fluxo de visitantes e, ao mesmo tempo, de controle territorial por milícias e organizações criminosas.

Segundo o texto, o Rio registrou 2,1 milhões de visitantes internacionais em 2025, alta de 45% em relação a 2024. A prosperidade turística contrasta com um cenário político marcado por casos de corrupção e instabilidade institucional. A avaliação aponta que, em termos de governança, o estado não apresenta estabilidade.

A reportagem cita casos recentes envolvendo o poder público: o ex-governador Cláudio Castro foi impedido de exercer cargos por oito anos no início de 2026, por uso ilegal de dinheiro público em finalidade eleitoral. Rodrigo Bacellar, atual presidente da assembleia, encontra-se preso sob suspeita de ligações com o tráfico de drogas.

Uma das linhas centrais da análise é a relação entre crime organizado e classe política. O texto menciona o assassinato de Marielle Franco como marco da infiltração miliciana nas instituições. Em fevereiro de 2026, Brazão e Domingos Brazão foram condenados a mais de 76 anos de prisão, fortalecendo a narrativa de proximidade entre milícias e o poder formal.

A Economist também aponta vínculos no cenário político nacional. Familiares de Adriano da Nóbrega teriam estado na folha de pagamento de Flávio Bolsonaro quando ele era deputado estadual, segundo a reportagem. Os vínculos permanecem sob escrutínio, especialmente com as eleições presidenciais de outubro, em que Flávio figura entre as apostas.

Controle territorial

A análise detalha a divisão do controle da cidade entre milícias e o Comando Vermelho (CV). Estima-se que cerca de 1,7 milhão de pessoas estejam sob dominação de milícias, e um número equivalente sob influência do CV. O complexo da Maré é citado como exemplo da densidade do problema, com mais de 140 mil habitantes em área de menos de quatro quilômetros quadrados.

A reportagem descreve a situação como uma dupla realidade: praias e turismo de um lado, exclusão e violência organizadas do outro. Moradores citados pela publicação expressam preocupação com a eficácia de políticas públicas diante do quadro. Há menção a pedidos por intervenção federal, com debates no Senado sobre medidas para enfrentar a infiltração do crime nas instituições.

A publicação conclui que o Rio de Janeiro enfrenta uma crise de legitimidade democrática. O texto ressalta a necessidade de ações firmes para reduzir a influência de estruturas criminosas sobre a política e a vida social no estado, sem oferecer soluções prontas.

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