Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Faccionalização do Brasil resulta de escolhas políticas, diz pesquisador americano

Especialista diz que lei antifacção pode reduzir violência apenas se Estado ocupar territórios dominados por facções como CV e PCC, não sendo mera repressão

Pessoa de perfil usa boné preto e está envolta em bandeira do Brasil com manchas vermelhas. Ao fundo, outras pessoas e bandeira vermelha desfocadas. Bandeira brasileira manchada de vermelho é exibida por manifestante durante ato após operação com recorde de mortes na Penha e no Alemão, no Rio
0:00
Carregando...
0:00
  • O presidente Lula sancionou, no fim de março, a nova lei antifacção, com penas que podem chegar a 40 anos, para combater domínio social estruturado pelos crime organizado.
  • Estudo Datafolha aponta que ao menos 28,5 milhões de brasileiros convivem com a atuação rotineira de facções e milícias em suas vizinhanças.
  • O pesquisador Benjamin Lessing afirma que a lei pode funcionar se o Estado também promover a ocupação de territórios hoje dominados por CV e PCC, indo além de operações de força.
  • Lessing destaca a “simbiose” entre o crime e o Estado, defendendo que o combate deve considerar como a governança criminal se estabelece junto com a atuação estatal.
  • Há debate sobre classificar CV e PCC como organizações terroristas pelos Estados Unidos, com argumentos a favor e contra, incluindo impactos na investigação, cooperação e estratégias de repressão condicional.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, no fim de março, uma nova lei antifacção com penas que podem chegar a 40 anos. A lei visa enfrentar o domínio social estruturado por facções e milícias, tema que ganhou destaque após intensos debates no Congresso no ano passado. Dados apontam que milhões convivem com a presença dessas organizações no cotidiano.

O pesquisador americano Benjamin Lessing, da Universidade de Chicago, afirma que a ferramenta pode ser útil, desde que não se limite a operações repressivas em favelas. Para ele, é essencial que haja um esforço de reocupação estatal dos territórios controlados por CV e PCC. O tema é estudado por mais de duas décadas pelo especialista.

Lessing está, no momento, em Belém, sob uma bolsa da UFPA, e comenta ainda a possibilidade de o PCC e o CV serem reconhecidos como organizações terroristas pelos Estados Unidos. O pesquisador ressalta que essa classificação pode dificultar investigações financeiras e de alto nível, apontando riscos para o trabalho policial.

O volume de faccionalização no Brasil, segundo Lessing, resulta de décadas de escolhas políticas para enfrentar as organizações. O pesquisador publicou um livro que analisa governança criminal em Brasil, El Salvador e Colômbia, destacando o conceito de controle territorial por facções.

Para o especialista, a eficácia da lei depende do objetivo do Estado ao exercer repressão. Ele cita exemplos de políticas como as Unidades de Polícia Pacificadora no Rio Grande do Sul, que condicionam ações à queda de homicídios, e aponta que o custo fiscal de governar comunidades é um desafio relevante.

Análise sobre a governança criminal

Lessing enfatiza a importância de entender a relação simbiótica entre Estado e facções. Segundo ele, as facções fornecem ordem em prisões superlotadas e em periferias abandonadas, ao mesmo tempo em que o Estado combate o crime. Ignorar essa dinâmica pode prejudicar avaliações e estratégias de redução da violência.

O pesquisador também compara modelos de repressão: em Medellín, a repressão condicional funcionou ao combinar pressão com garantias a setores da comunidade. No Brasil, aponta, o uso disseminado da força precisa considerar custos e consequências da governança criminal.

Perspectivas sobre o cenário político

A discussão sobre classificar CV e PCC como terroristas também é contestada por especialistas. Uma crítica é que a medida pode dificultar investigações financeiras e estratégicas, prejudicando o combate ao crime organizado. Não há consenso sobre impactos de longo prazo para a redução da violência.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais