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Famílias separam-se quando idosos aderem à extrema-direita

Famílias se ressentem com a radicalização de idosos, alimentada por desinformação online, causando rupturas e distanciamentos

Illustration: Carl Godfrey/The Guardian
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  • O texto aborda o deslocamento político de pessoas da geração boomer (60–80 anos), que passam a consumir conteúdo extremista online e a aceitar teorias da conspiração, às vezes por meio de conteúdos gerados por IA com nostalgia do passado.
  • Exemplos familiares mostram rachas: Graham, de Midlands, vê a mãe nos últimos anos apoiar figuras de direita e repetir ideias como “replacement” e covid-19 sendo uma farsa, gerando distância entre eles.
  • Pesquisas indicam que o conservadorismo aumenta com a idade e que o vínculo entre idade e voto se intensifica, com queda na votação do Labour entre quem tem mais idade; já nos Estados Unidos dados apontam tendências históricas parecidas.
  • Profissionais como Sara Wilford destacam que idosos passam mais tempo online e podem ser expostos a conteúdos moderados em plataformas como X e Facebook, o que facilita a radicalização e o chamado “nostalgia porn”.
  • As consequências incluem rupturas familiares, estranhamentos e dilemas sobre como manter relações, com sugestões de limites, buscas por apoio terapêutico e foco em manter o diálogo sem abrir mão de valores fundamentais.

Nos relatos coletados por entrevistados e pesquisadores, famílias enfrentam uma guinada política de membros mais velhos para a direita, impulsionada por um ecossistema online cada vez mais fragmentado. O fenômeno, antes associado principalmente aos jovens, ganha contornos familiares à medida que avós e pais se aproximam de conteúdos extremistas e desinformação.

Graham, morador do Midlands, descreve a transformação gradual da mãe na pandemia. Ele relata mudanças no comportamento e no tempo gasto online, o que, segundo ele, afastou a matriarca de atividades religiosas e de convívio social. Hoje, a mãe apoia ações de figuras de direita e veicula acusações contra o governo e imigrantes, segundo o relato do filho.

Essa radicalização dentro de lares ocorre em meio a mudanças de hábitos midiáticos. Pesquisadores observam que o envelhecimento da população britânica coincide com maior tempo on-line, especialmente entre pessoas acima de 65 anos, que recorrem a plataformas como Facebook como principal canal de contato. Questões de imigração e teoria da substituição populacional aparecem com frequência.

Mudanças no consumo de mídia

Especialistas destacam que a nostalgia é um caminho inicial para a radicalização entre idosos, que consomem conteúdos que remetem ao passado e recebem versões geradas por IA de mensagens nostálgicas. Pesquisas sobre redes sociais indicam aumento do tempo on-line entre a faixa de 65+, com média diária superior a três horas.

O uso de conteúdos gerados por IA transforma o que era visto como lembrança do passado em material de propaganda que reforça preconceitos. Modelos de conteúdo com temas de imigração, criminalidade e críticas ao establishment ajudam a sedimentar visões rígidas entre o público mais velho.

Impacto nas relações familiares

Outros relatos apontam rupturas acentuadas. Famílias dizem ter vivido distâncias cada vez maiores entre pais, avós e filhos, com conversas que terminam abruptamente quando surgem teses políticas conflitantes. Em alguns casos, a comunicação é reduzida a encontros pontuais, evitando o tema político.

Especialistas em psicologia familiar indicam que o isolamento social, aliado a informações não verificadas, pode intensificar ressentimentos históricos. A percepção de desinteresse dos familiares mais jovens é citada como parte da dinâmica que agrava as disputas.

Perfis e motivações

Pesquisadores destacam que o quadro envolve indivíduos que, ao longo da vida, não tinham agenda política explícita, mas que passam a adotar posições firmes na meia-idade ou na terceira idade. A mudança é alimentada por redes sociais, pela percepção de perda de identidade e pela sensação de não pertencimento em um mundo digital, dizem os especialistas.

No Brasil e em outros países, estudos sugerem que esse movimento não é uniforme: há casos de acomodação gradual, bem como rejeição rotineira de consensos. Em alguns núcleos familiares, a distância entre gerações é marcada pela recusa de diálogo sobre temas como imigração e políticas públicas.

Convergência de dados internacionais

Análises recentes indicam que, no Brasil e no exterior, a relação entre idade, consumo de mídia e polarização tem ganhado destaque em pesquisas. Em países de tradição democrática, esse viés costuma refletir debates sobre liberdade de expressão, mídia e credibilidade das fontes, algo que as famílias continuam a enfrentar de forma prática.

Estudos da imprensa internacional indicam que redes sociais com grande alcance entre idosos permitem o acesso a conteúdos antes restritos a nichos. A presença de moderadores e a postura de plataformas em relação a desinformação são temas centrais para entender esse fenômeno.

Caminhos para a convivência

Especialistas indicam que estabelecer limites de conversa, buscar fontes confiáveis e manter o diálogo sem confrontos diretos ajuda a reduzir danos nas relações familiares. A orientação é priorizar pontos comuns e evitar debates que escalem para ataques pessoais, especialmente entre parentes.

O conjunto das histórias aponta para uma preocupação compartilhada: a necessidade de compreender como o ecossistema digital pode moldar crenças ao longo da vida. A toada é de cautela e cuidado para preservar vínculos sem abrir mão da veracidade das informações.

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