- Governadores em segundo mandato enfrentam dificuldade para definir um sucessor nas eleições de 2026, entre desgaste político, operações policiais e contenciosos judiciais.
- Em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte, pré-campanhas começam com bases fragmentadas e avaliações favoráveis abaixo do esperado.
- No Paraná, Ratinho Júnior desistiu da pré-campanha presidencial e não concorre a outubro; Moro surge como fator desestabilizador com lançamento pelo PL; disputa interna pelo controle da cadeira estadual permanece acesa.
- No Rio Grande do Sul, Eduardo Leite permanecerá no governo até o fim do mandato; PT não lança candidato próprio viável pela primeira vez desde a redemocratização, com Pretto cotado para vice na chapa de Juliana Brizola.
- No Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra enfrenta indisponibilidade de herdeiro político viável, com aliados divergentes e cenário de dificuldades para transferir apoio para o próximo governador.
Governadores em segundo mandato enfrentam maior dificuldade para indicar sucessor nas eleições de 2026. Às vésperas do pleito, muitos prometem manter o legado, mas encontram entraves como ameaças locais, operações policiais, desgaste com a Justiça e avaliações públicas ruins.
A multiplicidade de problemas faz a pré-campanha começar com desvantagem para quem não consegue consolidar apoio interno. Grupos políticos fragilizados, disputas por foco regional e a pressão de fatores externos ampliam a complexidade de transferir força para um herdeiro.
Alguns governadores já definiram que não concorrerão a nada neste ano. Em debate político, aparecem nomes de estados como Rio Grande do Norte, Tocantins e Alagoas para evitar perdas de espaço. A prática busca manter a influência do grupo mesmo sem o cargo, por meio de aliados.
Paraná: Ratinho Junior, Moro e a fragmentação da base
No Paraná, Ratinho Junior anunciou desistência de concorrer à Presidência e não disputará nenhum cargo em outubro, mantendo-se governador até dezembro. A decisão reflete a fragmentação de sua base e a ascensão de Rafael Greca ao MDB, com pretensão de concorrer ao governo.
O atual vice, Darci Piana, não recebe o mesmo apelo popular e dificilmente liderará a disputa. O presidente da Alep, Alexandre Curi, trocou o PSD pelo Republicanos após não obter apoio direto do governador; Curi disputa uma vaga ao Senado.
A dúvida sobre o nome da candidatura estadual persiste. Sandro Alex, secretário de Infraestrutura, surge como possível titular para a sucessão, em alinhamento próximo ao governador. Entretanto, a presença de Sergio Moro na disputa, pelo PL com apoio da família Bolsonaro, desestabiliza o campo. Pesquisas indicam liderança de Moro frente aos rivais em cenários estimulados.
Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte e outras dificuldades locais
Em Rio Grande do Sul, Eduardo Leite decidiu permanecer no governo até o fim do mandato, após ser afastado de opções para compor chapa presidencial. A permanência de Leite influencia a estratégia do vice e do pré-candidato de outros campos, com o PT enfrentando limitações para lançar candidatura própria.
No Rio Grande do Norte, a governadora Fátima Bezerra do PT enfrenta dificuldades para apontar um sucessor viável. O desgaste fiscal e a gestão acusam baixa aprovação, com alianças internas e oposição buscando nomes de diferentes espectros para 2026. A falta de herdeiro natural complica a continuidade do projeto do PT.
No Rio de Janeiro, o cenário é marcado por crises institucionais após inelegibilidade do ex-governador Cláudio Castro. A indefinição sobre eleição indireta ou direta para o mandato-tampão acena para o STF decidir o caminho institucional, em meio a tensões políticas locais e casos envolvendo autoridades.
Análise de cenário: estratégia dos governadores
Especialistas apontam que a transição para o Senado exige aprovação estável, base consolidada e controle político local. Quando esses elementos não coincidem, a viabilidade de renovar espaço político fica comprometida. A fragmentação e a presença de adversários fortes indicam maior imprevisibilidade nas disputas estaduais.
O quadro demonstra que, mesmo com gestão bem avaliada, governos podem ver seu domínio enfraquecido pela presença de candidatos independentes, alianças rivais e a busca por espaços nacionais. A tendência é de maior abertura e competição nas disputas locais.
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