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Lula diz que países criadores da ONU viraram senhores da guerra

Em Barcelona, Lula acusa o Conselho de Segurança da ONU de ser “senhores da guerra” e pede reforma, com maior representação africana e latino-americana

O presidente Lula (centro) em evento de lideranças de esquerda em Barcelona, na Espanha; (da esq. à dir., na primeira fila) acompanham Lula na imagem o presidente de Cabo Verde, José Maria Neves, o premiê da Espanha, Pedro Sánchez, o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, e o premiê da Albânia, Edi Rama
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  • Lula voltou a criticar o Conselho de Segurança da ONU, dizendo que, embora criado para garantir a paz, os cinco membros permanentes viraram “senhores da guerra”.
  • Ele falou no Fórum Democracia Sempre, em Barcelona, reunindo líderes de esquerda da Espanha, México e Colômbia, e pediu reformulação da ONU com maior representatividade.
  • O presidente citou invasões sem consentimento internacional — Iraque, Ucrânia e Líbia — e criticou ações de Israel na Faixa de Gaza, destacando o papel do veto e a ausência de participação efetiva.
  • Defendeu que o tema seja debatido regularmente na ONU e sugeriu que regulamentação das redes sociais também seja decidida pela organização, sinalizando apoio à candidatura de Michelle Bachelet para a Secretaria-Geral.
  • A agenda de viagem inclui encontros na Europa, com Sánchez, acordos assinados, passagem pela Alemanha e Portugal, e retorno ao Brasil na terça-feira.

Luiz Inácio Lula da Silva criticou o Conselho de Segurança da ONU durante reunião de líderes de esquerda em Barcelona, na Espanha, neste sábado. O presidente destacou que, desde a criação do órgão, os cinco membros permanentes não garantem mais a paz mundial, mas atuam como senhores da guerra. O discurso ocorreu no Fórum Democracia Sempre, que reúne representantes de esquerda.

Lula afirmou que decisões unilaterais de potências ocorreram sem consulta ao Conselho. Citou intervenções nações como Iraque, Ucrânia, Irã e Líbia, destacando falhas no funcionamento do veto e a baixa representação de África, América Latina e países como a Índia. O tom foi de cobrança institucional constante.

O grupo de líderes presentes em Barcelona inclui várias figuras da América Latina, África e Europa. Entre eles estavam Gustavo Petro, Gabriel Boric e Claudia Sheinbaum, além de autoridades espanholas e sul-africanas. A presença de Sheinbaum marcou uma novidade relevante para o encontro.

O presidente brasileiro também pediu debates cotidianos sobre regras internacionais e sugeriu que a ONU trate da regulamentação de redes sociais, defendendo maior protagonismo da organização em temas globais. A fala ocorreu diante de cerca de 20 líderes no fórum.

Durante o encontro, Lula reiterou a necessidade de renovar a ONU, com possibilidade de protagonismo feminino na direção da agência. Apoiar a candidatura de Michelle Bachelet para a Secretaria-Geral foi apontado como objetivo do Brasil na viagem.

Ao fim da sessão, o grupo participou de almoços com representantes de diferentes países. Petro, Sheinbaum e Orsi conduziram conversas bilaterais, acompanhadas por autoridades espanholas. O tom geral foi de repúdio às guerras recentes.

No dia seguinte, Lula participou de um discurso no congresso Mobilização Progressista Global, destacando que não deseja guerras, mas cobra responsabilidade de lideranças. Ele mencionou ainda o impacto da violência sobre população mais pobre.

A agenda de Lula prevê viagem à Alemanha, para a Feira de Hannover, e a Portugal, para encontro com o primeiro-ministro Luís Montenegro e o presidente António José Seguro. A viagem de cinco dias segue com reuniões e acordos, retornando ao Brasil na terça-feira.

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