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Imigrantes no Chile relatam xenofobia e planos de deixar o país sob governo Kast

Imigrantes relatam medo e xenofobia no Chile, com deportações em curso e planos de muros na fronteira norte sob governo Kast

Santiago, Chile — Foto: Juan Pablo Ahumada/Unsplash
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  • O governo de José Antonio Kast iniciou medidas contra imigrantes irregulares, incluindo o envio de 40 estrangeiros em um primeiro voo de deportação.
  • Desde a eleição, cerca de 2.180 venezuelanos deixaram o Chile, e imigrantes relatam aumento da xenofobia e receio de abordagem policial.
  • A fronteira norte deve ganhar muros, valas, drones, sensores e reforço militar, com a obra lembrando iniciativas de outros países, embora haja ceticismo sobre a efetividade.
  • Pessoas como a professora venezuelana que pediu refúgio narram medo diário, dificuldades de regularização e preocupação com a separação de famílias.
  • O governo também suspendeu a regularização de 182 mil imigrantes e apresentou projetos para tornar mais rígida a entrada de quem está sem documentos.

Imigrantes no Chile relatam aumento da xenofobia e planos de deixar o país com o governo Kast. O presidente ultradireitista tem buscado cumprir promessas de campanha, incluindo medidas contra estrangeiros irregularmente no país. A declaração de ex-candidato dizia que 133 dias seriam suficientes para o expurgo, caso não deixassem voluntariamente.

Desde a posse, Kast ordenou ações duras contra quem está fora da regularização. Imigrantes relatam vivência marcada por medo e incerteza, mudanças de hábitos e a necessidade de portar documentos o tempo todo. Muitos dizem que a situação se tornou mais hostil.

Roberto Delgado Gil, venezuelano há dez anos no Chile, afirma que há quem decida ir embora e clientes que cogitam deixar o país. Ele aponta que a associação entre imigração e criminalidade ampliou a estigmatização. A sensação é de que o sotaque ou a aparência atrapalham a vida cotidiana.

Segundo o serviço de imigração do Chile, 2.180 venezuelanos deixaram o país desde a eleição. Gil cita casos de tensão, como um mecânico sem documentos que trabalha para a polícia, e mães venezuelanas com filhos chilenos temendo a separação familiar.

A medida que mais preocupa é o primeiro voo de deportação, com 40 imigrantes, realizado na quinta-feira (16) entre Iquique, no norte, e destinos na Bolívia, Colômbia e Equador. O governo afirma que o voo é apenas o início de uma série.

Entre os deportados, 15 foram expulsos por ordem judicial, por crimes como roubo e tráfico de drogas; 25 respondiam a processos administrativos, segundo o governo. A gestão também anunciou ações de endurecimento na fronteira norte.

Ao tomar posse, em 11 de março, Kast ordenou a construção de muros e valas na fronteira norte, além de drones, sensores e reforço militar. A ideia visa dificultar a passagem de imigrantes que chegam principalmente pela Bolívia e Peru.

Em 2019, a expansão da imigração venezuelana transformou o Chile na casa de 38% dos imigrantes em 2023, totalizando quase 729 mil pessoas. Colombianos, peruanos e haitianos representam as demais parcelas, segundo dados oficiais.

A professora venezuelana Clara, 40, chegou ao Chile em maio de 2021 buscando refúgio político. Embora tenha obtido visto temporário, seu pedido foi negado, e hoje ela trabalha como cuidadora de idosos aguardando regularização extraordinária. Ela relata mudanças no ambiente político e social desde o início da atuação do governo.

A mãe de Clara, que imigrou há três anos, também descreve aumento de fiscalização policial em áreas de comércio popular. Ela relata que precisa descer em pontos específicos para evitar abordagens, reforçando o clima de apreensão entre famílias.

Para a comunidade de imigrantes, a entrada irregular é tratada como infração administrativa, com possibilidade de regularização extraordinária. Ainda assim, poucos conseguem avançar no processo, segundo especialistas ouvidos pela reportagem.

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