- O presidente da Câmara, Hugo Motta, e mais seis deputados concentraram, em 2025, R$ 1,5 bilhão em emendas de comissão ao Orçamento, grupo que representa 1,4% da Câmara.
- No ano, esse pequeno bloco ficou com cerca de 20% do total de R$ 7,5 bilhões repassados pelas comissões; os demais 423 deputados dividiram o restante e 83 não apresentaram valores oficialmente.
- O deputado Julio Arcoverde (PP-PI) foi o que mais indicou emendas de comissão em 2025, com R$ 244,3 milhões; Motta aparece logo depois, com R$ 180,5 milhões.
- Parte das verbas foi destinada a municípios ligados a apoiadores de pré-candidaturas, por exemplo, cidades que contam com apoio de prefeitos que apoiam Nabor Wanderley ao Senado.
- As lideranças de quatro partidos — PP, União Brasil, Republicanos e PL — aparecem como responsáveis por mais de R$ 930 milhões, com a prática de indicar recursos em nome da liderança, dificultando a identificação do padrinho real.
Hugo Motta, presidente da Câmara, e mais seis deputados estiveram no centro de uma concentração de recursos em emendas de comissão ao Orçamento no ano passado. Juntas, as ações somaram R$ 1,5 bilhão, valor que representou uma fração relevante do total gerido pelas comissões temáticas do Congresso.
Essa fatia privilegiada decorre de um mecanismo de indicação adotado pelas comissões, que aponta como e onde o dinheiro deve ser gasto. O Executivo tem discricionariedade para executar ou não os recursos, mas não pode remanejá-los sem nova justificativa.
A apuração da Folha aponta que o grupo de sete políticos representa 1,4% da Câmara, mas manipulou cerca de 20% da verba das comissões. Em 2025, o total deste tipo de recurso somou R$ 7,5 bilhões, distribuído entre deputados de 423 mandatos, com 83 parlamentares recebendo zero por meio de indicações oficiais.
Julio Arcoverde (PP-PI) foi o parlamentar que mais indicou emendas de comissão em 2025, somando R$ 244,3 milhões. Ele presidiu a Comissão Mista de Orçamento, responsável pela votação dos projetos orçamentários. Arcoverde afirma que as verbas foram aplicadas de forma legal e transparente no Piauí, com investimentos em infraestrutura, saúde e apoio a municípios.
Em seguida aparece Hugo Motta, com R$ 180,5 milhões. Partiu dele uma parcela considerável para cidades cuja gestão local já sinalizou apoio à pré-candidatura ao Senado de Nabor Wanderley, pai do presidente da Câmara. Motta afirma que as indicações cumprem acordo entre os Poderes, respeitando critérios de liderança partidária.
Marcos Pereira (Republicanos-SP), presidente nacional da sigla, ocupa o terceiro lugar, com R$ 138,2 milhões. Pereira sustenta que presidentes de partidos costumam ter maior disponibilidade de verbas e ressalta que divulga os repasses em seu site, ressaltando transparência nas indicações.
Outros três líderes de partidos — PP, União Brasil, Republicanos e PL — aparecem como responsáveis por indicar juntos mais de R$ 930 milhões, segundo o levantamento. Em muitos casos, o rastro da real origem do padrinho da verba fica oculto, contrariando decisões do STF para maior transparência.
Parlamentares de oposição, em sua maioria, não receberam esses recursos, exceto membros do PL em cargos-chave, como liderança da sigla ou presidência de comissões de saúde. A prática de indicar verbas por meio da liderança, em vez de nomes de deputados específicos, tem sido apontada como forma de ocultar autores reais das indicações.
A depender do tema, surgem debates sobre justiça e equilíbrio na distribuição. A diferença entre os valores de apenas sete parlamentares e o restante da Câmara, que superava dezenas de milhões de reais por deputado, alimenta críticas sobre favorecimento político e impacto eleitoral para 2026. Em 2025, a prática ocorreu de modo fragmentado ao longo de diversas comissões, dificultando a percepção do conjunto pela sociedade.
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