- No dia 19 de abril, Dia dos Povos Indígenas, Eloy Terena celebrou a demarcação de 33,9 mil hectares em território Terena, na aldeia Ipegue, em Aquidauana, Mato Grosso do Sul.
- Terena, que assumiu o Ministério dos Povos Indígenas em 31 de março, afirma que é uma luta de três décadas para a demarcação física do território onde nasceu e cresceu.
- A data passou a ser Dia dos Povos Indígenas por lei de 2022; o veto do governo anterior foi derrubado pelo Congresso.
- O movimento indígena aponta avanços, como a criação do ministério e mais de 12 milhões de hectares demarcados em pouco mais de três anos; o Brasil tem 391 etnias, 295 línguas e cerca de 1,69 milhão de indígenas.
- Novas lideranças, como Alice Pataxó e Célia Xakriabá, fortalecem a participação política e destacam que o 19 de abril é tanto celebração quanto reivindicação por demarcação e respeito às diversas culturas.
No dia 6 de abril, o ministro Eloy Terena voltou à aldeia Ipegue, em Aquidauana (MS), onde nasceu. A visita ocorreu para acompanhar a demarcação de 33,9 mil hectares de terra, um marco da gestão dele desde que assumiu o Ministério dos Povos Indígenas no fim de março, substituindo Sônia Guajajara.
Terena destaca a demarcação como prioridade histórica para comunidades Terena, afirmando que a conquista encerra uma luta de três décadas. Ele ressalta a importância de ampliar o reconhecimento de territórios para diversos povos do Brasil.
A comemoração do Dia dos Povos Indígenas, antes Dia do Índio, passou a ocorrer em 19 de abril pela Lei 14.402, de 2022. A mudança ocorreu após veto inicial do governo e derrubada do veto pelo Congresso.
Contexto histórico
A legislação instituiu o Dia dos Povos Indígenas e ampliou o debate sobre demarcação de terras. Joenia Wapichana foi autora do projeto; ela também figura como pioneira na atuação política indígena no Brasil.
Sônia Guajajara integrou a bancada do cocar e liderou ações pela afirmação de direitos, incluindo a criação de espaços institucionais como o Ministério. Ela pertence à primeira geração de deputadas indígenas eleitas.
Célia Xakriabá, pesquisadora e ativista, atua como referência na bancada indígena. Ela ressalta que a data não é apenas celebração, mas momento de resistência e avanços na demarcação territorial.
Dados do Censo 2022 indicam 391 etnias e 295 línguas entre indígenas no Brasil, com 1,69 milhão de pessoas, cerca de 0,83% da população. Tikuna, Kokama e Makuxi aparecem entre as mais numerosas, e Tikuna, Guarani Kaiowá e Guajajara entre as mais faladas.
O movimento indígena tem ganhado protagonismo institucional, com a participação de lideranças que defendem demarcação, proteção de territórios e educação indígena. Diversidade de vozes reforça o debate sobre inclusão e direitos.
Entre figuras destacadas, o escritor Ailton Krenak e a médica Myrian Krexu ressaltam a evolução para além de datas festivas, defendendo uma agenda de reconhecimento e respeito às populações originárias.
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