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Desembargadora diz temer juízes na ‘escravidão’ e recebeu R$ 91 mil em março

Desembargadora Eva do Amaral Coelho teme regime de escravidão na magistratura com redução de penduricalhos e recebeu R$ 91 mil líquidos em março

Eva do Amaral Coelho, da 3ª Turma de Direito Penal do Tribunal de Justiça do Pará, afirmou que 'os juízes estão sendo vistos como bandidos, como pessoas sem escrúpulos'
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  • Desembargadora Eva do Amaral Coelho, de 74 anos, atua no Tribunal de Justiça do Pará desde julho de 2020, após quase quarenta e um anos de carreira.
  • Atuou no processo do Massacre de Eldorado dos Carajás, em que 19 trabalhadores rurais foram mortos durante operação policial em abril de 1996, liderando fases-chave do julgamento.
  • Em março, recebeu R$ 91 mil líquidos; no primeiro trimestre, acumulou R$ 216 mil em salários, acima do teto do funcionalismo.
  • Afirmou temer que a magistratura passe a viver em um “regime de escravidão” com a redução de penduricalhos após decisão do Supremo Tribunal Federal.
  • Também atuou na Justiça Eleitoral, foi membro efetivo do Tribunal Regional Eleitoral do Pará entre 2012 e 2016 e integrou o Conselho da Magistratura do TJ paraense (biênio 2021–2023).

A desembargadora Eva do Amaral Coelho, 74, do Tribunal de Justiça do Pará, disse temer que a magistratura viva um regime de escravidão com a redução de penduricalhos após decisão do STF. Ela informou ter recebido 91 mil líquidos em março.

Ela atuou no processo do Massacre de Eldorado dos Carajás, em 1996, quando 19 trabalhadores rurais foram mortos por policiais militares no sul do Pará. Naquele episódio, Eva era juíza de primeira instância e participou de fases-chave do julgamento.

A carreira de Eva começou em Afuá, seguiu por comarcas do interior e pela região metropolitana de Belém, com promoções por antiguidade até chegar às varas criminais da capital. Assumiu o cargo de desembargadora em julho de 2020.

No âmbito da Justiça Eleitoral, atuou como membro efetivo do TRE do Pará entre 2012 e 2016, além de exercer funções de juíza cooperadora e ouvidora. Também integrou o Conselho da Magistratura entre 2021 e 2023.

Antes da vida no TJ, trabalhou como advogada em Belém e Marabá e passou pelo Serpro, na área de recursos humanos. Formou-se em Direito em 1980 pelo Centro de Estudos Superiores do Estado do Pará.

Em 2020, em entrevista à Amepa, Eva defendeu que juízes atuem com prudência, empatia, decoro e dignidade, evitando apego ao cargo. Em sessão do TJ, criticou a expressão penduricalhos, destacando a tensão vivida pela magistratura.

Ela alertou que a carga de trabalho é elevada, com horas extras em casa. Segundo a desembargadora, colegas deixam de frequentar consultórios médicos e de pagar remédios por reajustes de benefícios.

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