- Lula afirmou em Hannover que o Brasil pode se tornar uma “Arábia Saudita dos biocombustíveis” durante coletiva com o chanceler alemão Friedrich Merz, na abertura da Feira Industrial.
- Testes com biodiesel brasileiro em caminhão da Daimler Truck indicaram potencial de redução de até noventa por cento das emissões de CO₂ em relação ao combustível fóssil.
- O presidente destacou que existem quarenta milhões de hectares de terras degradadas aptas a oleaginosas, sem necessidade de desmatar novas áreas, para produção de biocombustíveis.
- O Brasil é exportador de petróleo, mas investe em biocombustíveis há décadas, com sessenta e nove por cento da matriz elétrica já renovável e cinquenta e três por cento do total de energia proveniente de fontes renováveis.
- Em Hannover foram firmados acordos em defesa, inteligência artificial, tecnologias quânticas, bioeconomia e eficiência energética; a Alemanha anunciou quinhentos milhões de euros ao Fundo Clima, e a entrada em vigor do acordo Mercosul–União Europeia está prevista para 1º de maio.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, durante a abertura da Feira Industrial de Hannover, que o Brasil tem potencial para se tornar uma espécie de “Arábia Saudita dos biocombustíveis”. A declaração foi feita nesta segunda-feira, 28 de abril de 2025, em Hannover, na Alemanha, na presença do chanceler alemão Friedrich Merz. O objetivo é mostrar que o país pode liderar a transição energética global sem abandonar o petróleo.
Lula destacou testes com biodiesel brasileiro em um caminhão da Daimler Truck para sustentar a linha de que o combustível renovável pode reduzir até 90% das emissões de CO₂ em relação ao combustível fóssil. O presidente reforçou que o Brasil pode desmistificar o preconceito contra os biocombustíveis, citando avanços históricos como o Proálcool e o crescimento recente do setor de biocombustíveis.
Em sua fala, o chefe de governo também comentou críticas sobre a competição entre produção de biocombustíveis e alimentos, afirmando que o Brasil possui 40 milhões de hectares de terras degradadas passíveis de recuperação para oleaginosas, sem necessidade de desmatar novas áreas. Além disso, ressaltou que o Brasil é exportador de petróleo, mas investe em energias alternativas há décadas.
Avanços e parcerias
A coletiva também trouxe dados sobre a matriz energética brasileira: 89% da geração elétrica já é renovável, e 53% do total de energia, incluindo combustíveis, vem de fontes renováveis. Os números foram apresentados como comparação com a meta de 40% de participação de renováveis prevista pela União Europeia para 2050. O chanceler Merz destacou que a transição não depende de uma única tecnologia, lembrando que há mais de um bilhão de veículos movidos a combustão no mundo.
A viagem de Lula a Hannover resultou em acordos bilaterais envolvendo defesa, inteligência artificial, tecnologias quânticas, bioeconomia e eficiência energética. A Alemanha anunciou uma contribuição de 500 milhões de euros ao Fundo Clima. Também foi anunciada a entrada em vigor do acordo Mercosul-UE em 1º de maio, como parte dos objetivos da visita.
Lula participa de uma sequência de compromissos na Europa, com atividades em Barcelona, onde ocorreu a primeira Cúpula Brasil-Espanha, e a continuidade da agenda em Lisboa. A viagem ocorre com a participação de 14 ministros e a perspectiva de novos acordos entre Brasil e países europeus.
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