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Terceiro mandato de Trump: teoria excêntrica ou possibilidade real?

A 22ª Emenda pode restringir apenas ser eleito; Trump poderia ser vice e servir, se o presidente falhar, conforme Dershowitz

O presidente dos EUA, Donald Trump, informou que segue em negociação com o Irã antes de ultimato (Foto: Alex Brandon/Pool/EFE)
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  • A 22ª Emenda da Constituição dos EUA, em teoria, poderia permitir um terceiro mandato de Donald Trump, dependendo da interpretação de termos como “eleito” e “servir”.
  • O jurista Alan Dershowitz defende que a proibição não impede totalmente um terceiro mandato, sugerindo cenários em que Trump poderia tornar-se vice-presidente ou servir caso haja vacância, conforme analisado em seu livro Could President Trump Constitutionally Serve a Third Term?.
  • O analista Leonardo Coutinho contesta a tese, lembrando que a 12ª Emenda determina que quem é inelegível para presidente não pode ser vice-presidente, o que fecharia a possibilidade.
  • Historicamente, a prática de um terceiro mandato ocorreu com franklin roosevelt, após o qual foi criada a 22ª Emenda em 1951 para evitar repetição desse cenário.
  • Com a atual agenda internacional e o conflito no Irã, analistas veem o tema como um subtexto da política norte‑americana, enquanto o envolvimento de Trump em questões externas pode influenciar as eleições de meio de mandato.

Uma palavra na Constituição dos Estados Unidos pode determinar se Donald Trump pode disputar um terceiro mandato. A 22ª Emenda, em teoria, impede que alguém seja eleito presidente mais de duas vezes.

Esse debate é apresentado pelo jurista Alan Dershowitz, figura próxima à Casa Branca e que já atuou em processos de impeachment envolvendo outros políticos. Em seu livro, ele analisa se Trump poderia servir constitucionalmente um terceiro mandato.

Dershowitz afirma que termos como eleito, ocupar e servir no texto legal não são sinônimos e defendem interpretações distintas. Segundo ele, a proibição recai sobre a eleição, abrindo possibilidades como a atuação como vice-presidente e, na ausência do presidente, a ocupação do cargo. Em condições extremas, o Congresso poderia indicar o presidente da Câmara.

Interpretações e limites legais

Analista político Leonardo Coutinho contesta a leitura, citando a 12ª Emenda de 1804, que impede que quem é inelegível para presidente ocupe a vice-presidência. A regra de Washington vs. Roosevelt moldou a ideia de limitar mandatos, levando à criação da 22ª Emenda em 1951 para consolidar a restrição.

Aduz o pesquisador Uriél Araújo que a anomalia jurídica refletiria uma mudança na democracia americana desde o Ato Patriota de 2001. Ele vê um terceiro mandato como potencial catalisador de crises institucionais, especialmente em ambientes polarizados.

No momento, não há confirmação de mudança na prática constitucional. Trump tem reiterado, em tom de provocação, que a possibilidade existe, e permanece ativo no cenário político. Um novo conflito internacional pode mudar o ritmo das disputas e as estratégias eleitorais.

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