- O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, está sob forte pressão política do PT e de aliados de Lula após afirmar que as investigações internas não apontaram culpa de Roberto Campos Neto no caso Master.
- Planalto e PT tentam associar o escândalo ao governo de Jair Bolsonaro, que indicou Campos Neto, em meio à disputa eleitoral a seis meses das urnas.
- O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, chamou Galípolo de traidor, em críticas publicadas ao jornal O Globo.
- Galípolo afirmou à CPI do Crime Organizado que não houve “qualquer culpa” por parte de Campos Neto nas investigações internas sobre o Master.
- O Banco Central mantém o tom técnico e institucional, com avaliação interna de que Galípolo está defendendo a autonomia da instituição, ainda que a relação com o governo siga tensa.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, enfrenta forte pressão de apoiadores de Lula e do PT após justificar que não houve culpa de seu antecessor no caso Master. A declaração provocou reação negativa no Planalto, que busca atribuir responsabilidade à gestão de Bolsonaro. A seis meses da eleição, o tema volta à tona.
A CPI do Crime Organizado ouviu Galípolo, que afirmou não ter encontrado dolo de Roberto Campos Neto nas investigações sobre o Master. O posicionamento sustenta o discurso institucional do BC, mas divide opiniões entre os aliados do governo.
No Palácio do Planalto, auxiliares avaliam que Galípolo não defendeu Campos Neto com a linha de tempo desejada para ampliar críticas a Bolsonaro. A avaliação interna é de que a postura técnica preserva a autonomia da instituição.
Contexto político
O PT na Câmara, liderado por Pedro Uczai, reagiu com críticas mais duras ao presidente do BC. Ele chamou Galípolo de traidor, argumentando que a gestão de Campos Neto estaria ligada a decisões do governo anterior, conforme leitura do tema Master.
A posição de Uczai reforça o desgaste entre o governo e o BC, já que o Planalto desejava que Galípolo apresentasse evidências que refletissem responsabilidades da gestão anterior. A tensão envolve também a articulação com Lula sobre o tema.
Histórico do caso Master
O governo ressalta que o BC autorizou a entrada de Vorcaro na operação que resultou no que hoje se chama Master. Técnicos, contudo, indicaram dificuldades em demonstrar origem de recursos na primeira tentativa de aquisição, o que levou a ajustes e à liquidação do banco.
Lula pediu, publicamente, que o BC explicasse quem era responsável no caso Master, sem indicar que Campos Neto fosse culpado. A narrativa oficial do governo aponta falhas anteriores como origem do escândalo, ajudando a distanciar o BC de ações atuais.
Desdobramentos recentes
A tensão interna ganhou novos elementos com a nomeação de Guilherme Melo a uma diretoria do BC, indicada por Lula, após conversa sobre Haddad. Em meio a críticas, o BC reafirma que a liquidação do Master seguiu rito adequado para evitar contestações judiciais.
Segundo a instituição, as investigações apontaram que não houve culpa de Campos Neto nas fases cruciais do processo, o que complica a defesa de que houve falta de ação do ex-presidente do BC para evitar o caso Master.
Avanços e próximos passos
Oficialmente, o BC mantém o discurso institucional de cumprimento de seus papéis. Integrantes do governo defendem que a linha técnica preserva a credibilidade da instituição e evita rupturas com o processo investigativo.
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