- Os ministros da Defesa e das Relações Exteriores do Peru renunciaram, alegando que o presidente interino José María Balcázar mentiu ao país sobre um acordo de US$ 3,5 bilhões para a compra de 24 caças F-16 com a Lockheed Martin, supostamente assinado na segunda-feira.
- Balcázar havia cancelado a assinatura na sexta-feira, dizendo que o próximo presidente eleito deveria decidir sobre o tema; segundo os ministros, o contrato foi assinado pelos militares.
- O chanceler demissionário Hugo de Zela afirmou que Balcázar sabia que dois contratos haviam sido assinados na segunda-feira.
- O pagamento inicial já venceu, e a decisão de autorizar ou não o acordo depende do presidente e do Ministério da Economia; Balcázar disse que assinaturas sem aprovação seriam irregulares.
- O Peru realiza eleições gerais, com Keiko Fujimori em posição de segundo turno; a postura dos candidatos sobre a assinatura do contrato varia entre apoiar e questionar o gasto em defesa.
Os ministros da Defesa e das Relações Exteriores do Peru apresentaram suas renúncias após alegarem que o presidente interino, José María Balcázar, mentiu ao país sobre a assinatura de um acordo de compra de caças. O contrato envolve 24 aeronaves F-16 da Lockheed Martin, estimado em US$ 3,5 bilhões.
Segundo o chanceler emérito Hugo de Zela, demissionário, o acordo teria sido assinado pela própria estrutura militar na segunda-feira, mesmo com a resistência pública de Balcázar. O pedido de cancelamento só foi decidido pelo presidente na sexta-feira anterior.
O episódio aumenta a pressão sobre Balcázar, líder de 83 anos de um partido de esquerda radical, que resistiu a apoiar a compra. As Forças Armadas e Washington defendem o reforço da frota, enquanto o mandatário mantém que o tema deve ser decidido pelo próximo presidente eleito.
Desdobramentos e calendário
O ex-ministro da Economia, Luis Miguel Castilla, afirmou que a liberação de recursos depende de ato oficial do governo, já com controle no Ministério da Economia. Castilla também informou que o pagamento inicial já venceu, apontando o prazo final para o desembolso no acordo.
A renúncia dos dois ministros ocorre no contexto de uma campanha eleitoral em curso, com Keiko Fujimori defendendo a assinatura do contrato, e Roberto Sánchez ou Rafael López Aliaga disputando o segundo turno em junho. As posições na contenda afetam o tema de segurança nacional no país.
Contexto político e futuro próximo
Balcázar afirmou que qualquer decisão de assinar o acordo sem sua autorização seria irregular, deixando claro que a decisão final caberia ao presidente em exercício. A autoridade para liberar recursos, no entanto, permanece em disputa entre o governo interino e as autoridades econômicas.
O Peru continua sem definição sobre o futuro governante a partir de julho, quando o mandato de Balcázar termina. A negociação com a Lockheed Martin, se mantida, pode ter impactos estratégicos e orçamentários para o país.
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