- O ministro Gilmar Mendes, do STF, realizou uma série de entrevistas para rebater críticas à corte e defender suas posições, em menos de uma semana.
- Ele afirmou que o envolvimento com o Banco Master é marginal e que o “endereço” do escândalo fica na Faria Lima, em São Paulo, não na praça dos Três Poderes.
- Gilmar defendeu o inquérito das fake news, justificou o envio de uma notícia-crime contra o governador Romeu Zema ao relator Alexandre de Moraes e mencionou uma representação à PGR contra o relator da CPI do Crime Organizado, Alessandro Vieira.
- Também tratou da proposta de código de ética de Fachin, comentou resistência interna e discutiu a reforma do Judiciário defendida por Flávio Dino, defendendo maior pactuação entre os Poderes.
- Em sua fala sobre Zema, gerou reação: o governador disse que ofende apenas se houver fundo de verdade; Gilmar também comentou editoriais da Folha e questionou o tom das críticas à corte.
Gilmar Mendes, ministro do STF, ampliou o ciclo de entrevistas para responder a críticas à corte e defender suas posições. Em menos de uma semana, ele falou com ao menos seis veículos, com três deles em intervalo de 24 horas.
O foco das falas foi a crise de imagem do STF ligada ao caso Banco Master. Mendes disse que o envolvimento institucional é marginal e que o eixo do escândalo estaria na Faria Lima, bairro financeiro de São Paulo, em vez de Brasília.
A defesa incluiu pesquisa de contradições nas críticas, ao apontar que acusações de interferência nos demais Poderes convivem com cobranças para que o STF atue em temas específicos. Mendes manteve o tom de responsabilidade institucional.
Continuidade do inquérito das fake news e episódios envolvendo Zema
O ministro reiterou a defesa da continuidade do inquérito das fake news, em curso há sete anos. Também explicou a decisão de enviar ao relator Alexandre de Moraes uma notícia-crime contra o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, após revelação de Mônica Bergamo, e registrou representação à PGR contra o relator da CPI do Crime Organizado, Alessandro Vieira.
Mendes comentou ainda a proposta de código de ética apresentada por Fachin e a ideia de uma reforma do Judiciário defendida por Flávio Dino. Em tom de busca por entendimento entre os Poderes, ele apoiou um pacto mais amplo entre STF, Congresso e Executivo.
Nos últimos dias, o decano do STF concedeu entrevistas a várias plataformas — Globo, Record, Metrópoles, Band, Correio Braziliense e Expresso — e fez comentários no plenário da corte. Em uma fala, sugeriu que o Master está associado a bancos que participaram de operações com créditos do grupo, estendendo a responsabilização ao sistema financeiro como um todo.
Reação pública e desdobramentos políticos
Em resposta, Romeu Zema afirmou ter relação entre as críticas a Mendes e uma visão de ofensa, comentando publicamente que a provocação só feriria quem não tem base de verdade. Já o deputado Nikolas Ferreira questionou se o comentário de Mendes não foi homofóbico.
O ex-governador mineiro também reagiu a uma imagem gerada por IA que retratava um boneco com símbolos da comunidade LGBTQIA+. Em entrevista, Mendes ressaltou a necessidade de responsabilidade ao tratar de figuras públicas e evitar brincadeiras que possam gerar desrespeito.
Ao analisar a disputa com Zema, Mendes afirmou que o governador só chegou ao poder por decisões do STF que suspenderam pagamentos da dívida com a União por quase dois anos. Sobre a inclusão de Zema no inquérito, ele negou que isso aumentaria a tensão, reiterando a necessidade de responsabilidade entre agentes públicos.
Panorama institucional
Mendes avaliou que o STF é reconhecido internacionalmente pela defesa da democracia e que eventuais autocríticas devem ocorrer de forma interna, sem extrapolações. No plenário, também criticou editoriais da imprensa que, segundo ele, variaram entre cobrança da atuação do tribunal e críticas pela sua atuação em temas específicos.
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