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Operação investiga desvio de verba de remédios oncológicos via Justiça em MS

Operação OncoJuris apura desvio de verbas da saúde em Mato Grosso do Sul, com mais de setenta por cento retidos para fornecedores de alto custo

Operação OncoJuris cumpriu mandados em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais
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  • Operação OncoJuris resultou em cinco mandados de prisão temporária e 21 de busca e apreensão em Campo Grande, Ribas do Rio Pardo (MS), São Paulo, Barueri e Itu (SP) e Nova Lima (MG).
  • A investigação aponta um esquema que utilizava decisões judiciais para desviar mais de setenta por cento das verbas destinadas à compra de medicamentos de alto custo, principalmente oncológicos.
  • Participam da ação Polícia Civil, Ministério Público, Defensoria Pública e Receita Federal; os nomes dos suspeitos não foram divulgados e as apurações seguem sob sigilo.
  • A Secretaria de Saúde de Mato Grosso do Sul afirmou acompanhar o caso, já acionou a Controladoria-Geral do Estado e mecanismos de compliance e mantém ações de transparência e fiscalização.
  • A apuração indica organização criminosa com núcleos distintos: elaboração de orçamentos, atuação nos processos para inserir empresas, recebimento de recursos e importação de medicamentos, com indícios de irregularidades sanitárias e documentação inapropriada.

Uma operação conjunta deflagrou ações contra um esquema que usava decisões judiciais para desviar recursos públicos da saúde de Mato Grosso do Sul. A ação, batizada OncoJuris, ocorreu nesta quinta-feira (23) e cumpriu cinco mandados de prisão temporária e 21 de busca e apreensão em estados diferentes.

Participam da operação Polícia Civil de MS, Ministério Público estadual, Defensoria Pública e Receita Federal. Os alvos são suspeitos de integrarem uma organização criminosa estruturada para judicializar a saúde e direcionar verbas para empresas de fornecimento de medicamentos.

Os mandados foram executados em Campo Grande e Ribas do Rio Pardo, em MS, além de cidades em São Paulo (São Paulo, Barueri e Itu) e em Nova Lima, MG. Os nomes dos investigados não foram divulgados, e as apurações seguem em sigilo.

De acordo com a Receita Federal, há indícios de participação de ex-servidores da Secretaria de Estado de Saúde de MS no início do esquema, ao direcionar orçamentos que subsidiam decisões judiciais. A Secretaria de Saúde de MS informou que acompanha o caso e acionou controles internos.

Segundo os investigadores, pacientes recorriam ao Judiciário para obter medicamentos de alto custo, o que facilitou o bloqueio de valores para pagamento a fornecedores. O grupo é acusado de manter núcleos distintos: elaboração de orçamentos, atuação processual, intermediários financeiros e importação dos fármacos.

A apuração aponta que mais de 70% dos recursos liberados eram retidos sob a justificativa de serviços de assessoria, com pouca transferência para aquisição dos medicamentos. Há indicativos de que os itens eram importados a custo menor, com irregularidades em controles sanitários e documentação.

Ainda segundo a investigação, houve falhas de rastreabilidade, problemas no transporte e armazenamento, além de suspeitas de falsificação de documentos fiscais e prestação de contas irregular nos mecanismos judiciais. Em alguns casos, os fármacos podem não possuir registro na autoridade sanitária nacional.

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