- A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) rebateu a fala de Lula, dizendo que a declaração lança dúvidas sobre o comprometimento da categoria.
- Lula pediu ao ministro da Justiça e Segurança Pública para chamar de volta delegados cedidos a outros órgãos, afirmando que alguns estariam “fingindo” trabalhar.
- A ADPF afirma que delegados fora da Polícia Federal atuam em órgãos do Poder Executivo, Judiciário e Legislativo, e que não há fundamento para questionar sua dedicação; 53 delegados representam menos de 3% do total.
- A entidade defende medidas estruturais, como a criação do Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (Funcoc), para financiar ações contra o crime organizado.
- Dados apresentados pela ADPF indicam que, nos últimos três anos, entraram 104 delegados na PF e saíram 50; houve queda no interesse por concursos, de 321 mil candidatos em 2021 para 218 mil em 2025.
A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) reagiu nesta sexta-feira a uma fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, feita em Planaltina (DF) durante uma cerimônia pública. Lula pediu o chamamento de agentes cedidos a outros órgãos que estariam fingindo trabalhar, afirmando que todos devem retornar para combater o crime organizado.
Na reação, a ADPF afirma que a declaração questiona o comprometimento de delegados que atuam fora da PF, exercendo funções no Ministério da Justiça e Segurança Pública e em outros poderes. A entidade sustenta que esses profissionais ocupam posições estratégicas para o Estado.
Para a associação, não há fundamento em questionamentos generalizados sobre dedicação ou desempenho. A ADPF ressalta que a atuação de delegados cedidos é essencial para o funcionamento de órgãos públicos, mesmo fora da PF.
Contexto estratégico e números
A ADPF aponta que a volta dos cedidos não resolve por si só o enfrentamento ao crime organizado, que envolve 53 delegados da PF, menos de 3% do total em exercício. O foco, segundo a entidade, deve ser estrutural, incluindo o fortalecimento de políticas públicas e de mecanismos de combate ao crime.
A entidade cita como prioridade a criação do Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (Funcoc), com recursos provenientes de atividades ilícitas para sustentar ações de repressão. A medida ganharia relevância para o planejamento de longo prazo.
A nota também destaca perda de capacidade técnica da Polícia Federal causada pela evasão de profissionais e pela menor atratividade da carreira. Dados mencionados indicam 104 ingressos de delegados nos últimos três anos e 50 saídas para funções públicas.
Contorno institucional e dados de concursos
A ADPF menciona queda no interesse por concursos da PF, com inscrições caindo de 321 mil em 2021 para 218 mil em 2025. A organização reforça que o combate ao crime organizado demanda investimentos contínuos, valorização de profissionais e reforço da inteligência estratégica.
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