- Especialistas discutiram que classificar facções brasileiras como organizações terroristas estrangeiras (FTOs) pode alterar o risco para empresas com cadeias de suprimentos expostas a fornecedores, logística e distribuição.
- Se houver designação, relações com negócios controlados por facções podem levar a investigações e sanções nos Estados Unidos, mesmo com operações fora do território norte-americano.
- O encontro, em São Paulo, entre sócios do Demarest Advogados e do Jones Day, destacou a necessidade de due diligence mais robusta e cláusulas contratuais antifacção.
- O tema enfatizou o conceito de apoio material, que pode ser configurado mesmo com ações mínimas, como vender bens ou prestar serviços a entidades ligadas a facções.
- Recomendações incluem mapear risco por setor, aprofundar due diligence de parceiros críticos, verificar beneficiários finais, monitorar imprensa, revisar contratos e treinar equipes para agir rapidamente em caso de indícios.
Especialistas debatem a prevenção a sanções dos EUA por crime organizado
O encontro em São Paulo reuniu sócios do Demarest Advogados e do Jones Day para discutir a possível classificação de facções brasileiras como FTOs, organizações terroristas estrangeiras. O tema implica mudanças em due diligence, contratos e resposta a alertas.
A análise parte da ideia de que o crime organizado envolve setores formais, com estruturas de aparente legalidade. O debate considera que sanções poderiam alcançar empresas com operações fora dos EUA, se houver relação com grupos ligados a facções.
Os especialistas destacaram a necessidade de estratégias de logística mais cautelosas e de investigações internas sobre parceiros, terceirizados e distribuidores. O objetivo é reduzir riscos de punições em eventual enquadramento pelas autoridades americanas.
O que é FTO e por que importa para empresas
A designação de FTO é decisão do Departamento de Estado, com consulta ao DOJ e ao Tesouro, sem participação do país afetado. Para virar FTO, a organização precisa ser estrangeira, envolver terrorismo e representar ameaça aos EUA.
O impacto para o mundo corporativo vai além da reputação. O conceito de apoio material pode justificar responsabilização criminal de empresas, com base na legislação de combate ao terrorismo dos EUA.
A discussão enfatiza que até apoio mínimo pode gerar sanções, por exemplo, ao vender bens ou prestar serviços a uma entidade ligada a facções. A ênfase passa a ser com quem a empresa se relaciona, incluindo parceiros formais.
Medidas para reduzir a exposição a sanções
Entre as recomendações, estão mapear riscos por setor e geografia, priorizando operações sensíveis, como logística e distribuição. Due diligence mais profunda em parceiros críticos é apontada como essencial.
Procedimentos de investigação por camadas devem alcançar controladores e beneficiários finais para evitar vínculos indiretos com facções. Monitorar imprensa e investigações ajuda a reavaliar relações quando surgem sinais.
Contratos devem incluir cláusulas que vedem pagamentos a grupos suspeitos, com auditoria, certificações e rescisão por violação. Treinamentos para jurídico, compliance e operações ajudam a padronizar o conceito de apoio material.
A adoção de protocolos rápidos é destacada: ao identificar indícios relevantes, a empresa precisa agir com rapidez para suspender ou ajustar relações, para evitar impactos maiores em caso de sanção.
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