- Daniella Ribeiro, senadora pela Paraíba (Progressistas), revelou em entrevista à Marie Claire ter vivido violência doméstica por seis anos, com controle sobre sua vida pessoal e carreira política.
- O ex-namorado monitorava, isolava e chegou a sufocá-la com o travesseiro; houve, ainda, controle sobre contatos profissionais e cobranças ligadas a tatuagens.
- Ela reconheceu os sinais de abuso ao reler a Lei Maria da Penha; o relacionamento terminou no fim de 2017 e, logo depois, iniciou a campanha que a levou ao Senado.
- No ambiente público, relatou machismo e violência política de gênero, como pressão para ceder o lugar a um homem e cobranças relacionadas à aparência.
- Destaques do trabalho: o programa Antes que Aconteça, que atua na prevenção e enfrentamento da violência de gênero, incluindo as Salas Lilás em municípios sem delegacias especializadas.
Daniella Ribeiro, senadora pelo PP da Paraíba, revelou ter vivenciado violência doméstica em um relacionamento que durou seis anos. O relato foi feito em entrevista à revista Marie Claire, e teve origem no Seminário sobre Violência contra a Mulher, promovido no início do mês em parceria com o TJPB.
À época em que ainda era deputada estadual, ela descreveu como o relacionamento afetou a vida pessoal e a atuação política. O companheiro restringia viagens, relações profissionais com homens e chegou a sugerir que ela abandonasse a carreira para se manter financeiramente.
A parlamentar explicou que o reconhecimento dos sinais de abuso demorou. Ela lembra que foi monitorada discretamente e sofreram tentativas de controle, com o agressor buscando isolar a vítima de amigos, familiares e da própria identidade profissional.
Durante o período, episódios de violência física ocorreram, incluindo situações de sufocamento com o uso de um travesseiro. O relato aponta ainda que o agressor era socialmente agradável, dificultando a percepção externa do que acontecia.
O relacionamento terminou no final de 2017, com apoio de amigas, psicóloga e familiares. Analisando o passado, ela afirma que precisou de tempo para reconhecer o ciclo da violência e que só buscou tratamento de saúde mental anos depois, em 2023.
Violência política de gênero
Ribeiro afirma ter enfrentado machismo e ataques de gênero ao longo de mais de 15 anos na vida pública. Questões sobre aparência e deslegitimação da atuação são lembradas como recorrentes, inclusive no Senado.
Ela relata que, em ocasiões, recebeu convites para ceder espaço a um colega homem em reuniões com autoridades. A senadora ressalta a importância de se manter firme e igualitária, lembrando que a representatividade exige presença constante.
Entre os projetos, destaca o programa Antes que Aconteça, que atua na prevenção e enfrentamento da violência de gênero. A iniciativa inclui educação, acolhimento e autonomia financeira para vítimas.
Salas Lilás e expansão
O programa também prevê as Salas Lilás, espaços em municípios sem delegacias especializadas, com atendimento integrado de polícia, saúde e assistência social. A meta é ampliar o suporte a mulheres em situação de violência.
A iniciativa teve origem na Paraíba e, após aprovação, ganhou extensão para todo o país pelo Senado Federal, fortalecendo ações de proteção e integração de serviços. Marie Claire, fonte da entrevista, destaca o relato de Daniella Ribeiro.
Entre na conversa da comunidade