- Latinos católicos no Arizona passaram a contestar Trump após ele criticar o papa Leão XIV, chamando o pontífice de ciente da política externa.
- Em Tucson, eleitores católicos expressaram frustração com o presidente, avaliada como prejudicial à relação entre fé e política, especialmente entre quem frequenta a missa.
- Numa pesquisa recente do Pew Research Center, apenas 18% dos católicos hispânicos apoiavam a maior parte da agenda de Trump; ganhos de 2024 se restringiram a parte dessa parcela.
- No sexto distrito do Arizona, que vai de norte de Tucson até a fronteira com o México, eleitores ouvidos disseram que o conflito com o papa pode influenciar o voto em eleções de meio mandato.
- Entre moradores, há divisão entre apoiadores que mantêm votos republicanos e aqueles que consideram a postura de Trump desrespeitosa, com impactos variáveis conforme a região.
Em Tucson, no Arizona, fiéis católicos latinos avaliam o apoio de Donald Trump após as críticas do ex-presidente ao Papa Leão XIV. O episódio, ocorrido em 2024, repercute em distritos competitivos, incluindo o sexto distrito do estado. A contemplação do voto ganhou peso entre eleitores hispânicos.
Na Paróquia Católica Romana de São Francisco de Sales, a missa diária é acompanhada por uma exposição que homenageia soldados locais. Centenas de cartões com nomes de paroquianos aparecem ao lado de um retrato do Papa Leão XIV.
O veterano de 81 anos Stuart Sepulvida, que votou em Trump três vezes, diz ter ficado perturbado com as declarações do ex-presidente sobre o Papa. A partir disso, ele avalia se novamente apoiará o Partido Republicano nas eleições de meio mandato.
Mudança de opinião entre eleitores latinos
O Partido Republicano tenta conter a queda de apoio entre eleitores hispânicos, especialmente após o confronto entre Trump e o Papa. O episódio gerou críticas até de apoiadores fiéis ao empresário. A adversidade entre fé e política ganhou destaque na região.
Poucos dias após a Páscoa, o Papa pediu que fiéis abandonassem o conflito e buscassem paz, tema que chegou ao debate público nos Estados Unidos. Trump respondeu com críticas e chegou a publicar imagem gerada por IA que o retratava de modo controverso.
Para alguns fiéis locais, a postura de Trump em relação ao Papa é vista como desrespeitosa. O ponto de vista é fortemente influenciado por questionamentos sobre o papel da fé na política e pela percepção de que a autoridade religiosa não deve se envolver em disputas partidárias.
Perspectivas de voto e influências regionais
Dados do Pew Research Center indicam queda no apoio à agenda do presidente entre católicos hispânicos. Em 2024, o eleitorado latino católico mostrou maior ceticismo em relação ao partido republicano.
No sexto distrito, que vai do norte de Tucson à fronteira com o México, a competitividade forçou o foco em temas locais, como serviços comunitários, segurança e inclusão. A eleição é vista como um termômetro para o impacto da fé no voto.
Alguns eleitores locais relatam que seus vínculos com as Forças Armadas moldaram decisões de voto, em meio a debates sobre políticas de defesa e diplomacia. Outros afirmam que mudanças na retórica do partido afetam a disposição de apoiar candidatos republicanos.
Reações entre eleitores da paróquia
Entre os paroquianos que frequentam as missas, há divisão sobre o tema. Um eleitor independente costuma votar democraticamente, mas pode se abster caso o candidato seja considerado muito liberal. A tensão entre lealdade religiosa e fidelidade partidária aparece como fator decisivo para o voto.
Outros fiéis expressam frustrações com a polarização. A percepção de que a fé deve preceder a política alimenta debates sobre como seguir participando do processo eleitoral sem desrespeitar crenças ou instituições religiosas.
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